História do Trabalho Na Sociedade Feudal

Na Europa Ocidental, durante o feudalismo (séculos IX – XII), o setor predominante da economia era a produção agrícola. As classes governantes eram constituídas pelo clero e nobreza, que controlavam as terras, a produção e o poder político. A Igreja Católica detinha o monopólio espiritual, enquanto a nobreza encarregava-se da proteção militar. Mas quem realizava o trabalho na sociedade feudal para manter estas classes?
Havia os artesãos que andavam de uma região para outra, produzindo o artesanato, em troca de casa, comida e algumas moedas, pois quase todo senhorio possuía sua produção de artesanato.
A imagem presente no documento 6 é um calendário que representa os camponeses que trabalhavam extraindo da terra o sustento para viver, ainda que, de forma miserável. Cerca de dois ou três dias por semana, exerciam seus serviços nas terras do senhor, sem serem pagos pelo trabalho, sendo uma obrigação feudal a corvéia. Os camponeses estavam obrigados a realizar o cultivo primeiramente nos campos do senhor, depois cuidavam dos seus. Entregavam parte do que produziam ao senhor do manso, a talha. Pagava também as banalidades para utilizar o moinho, o forno e o lagar.


Calendário camponês, miniatura de um manuscrito francês do século XV. Você pode observar as diversas tarefas dos servos realizadas ao longo do ano. São algumas delas: plantar e colher, fabricar vinhos. FONTE: Muy historia, n. 1, p. 7, set.-out. 2005.

Lagar: Espécie de tanque onde se espremem e se reduzem a líquido certos frutos, especialmente as uvas.

O camponês servil era um escravo?
O escravo podia ser comprado ou vendido em qualquer tempo, como ocorreu na antigüidade e na África da época moderna. O servo tinha o status legal de homem livre, embora os senhores procurassem mantê-los presos às suas terras por meio de obrigações feudais. Portanto, os servos não eram escravos, nem trabalhadores livres.
A servidão era uma relação de trabalho no qual uma pessoa (servo) devia obrigações a outra (senhor). Estas obrigações geralmente eram pagas em forma de tributos, em troca de um pedaço de terra para produzir, de proteção e de segurança militar fornecidas por seus senhores feudais. Como os escravos, os servos deviam obediência e lealdade ao seu senhor.
Mas o que caracterizava um servo?
O servo não podia entrar para ordens religiosas, não podia denunciar homens livres na justiça, nem dispor livremente de seus bens, não participava do exército (defesa), nem podia deslocar-se livremente.
Havia, entretanto, diferenças nas condições de servo?

Texto 6
Por mais pesadas que estas obrigações pudessem parecer, num certo sentido, eram a antítese da escravatura, pois supunham a existência de um verdadeiro patrimônio nas mãos do devedor. Na sua qualidade de foreiro, o servo tinha os mesmos direitos que qualquer outro, a sua posse já não era precária e o seu trabalho, uma vez satisfeitos os tributos e os serviços, só a ele pertencia.

Texto 7
Havia os ‘servos dos domínios’, que viviam permanentemente ligados à casa do senhor e trabalhavam em seus campos durante todo o tempo, não apenas por dois ou três dias na semana. Havia camponeses muito pobres, chamados ‘fronteiriços’, que mantinham pequenos arrendamentos de um hectare, mais ou menos, à orla da aldeia, e os ‘aldeães’, que nem mesmo possuíam um pequeno arrendamento, mas apenas uma cabana, e deviam trabalhar para o senhor como braços contratados, em troca de comida.
Havia os ‘vilãos’ que, ao que parece, eram servos com maiores privilégios pessoais e econômicos.
Distanciavam-se muito dos servos na estrada que conduz à liberdade, gozavam de maiores privilégios e menores deveres para com o senhor. Uma diferença importante, também, está no fato de que os deveres que realmente assumiam eram mais preciosos que os dos servos. Isso constituía grande vantagem, porque, então, os vilãos sabiam qual a sua exata situação. Alguns vilãos estavam dispensados dos ‘dias de dádiva’ e realizavam apenas as tarefas normais de cultivo. Outros simplesmente não desempenhavam qualquer tarefa, mas pagavam ao senhor uma parcela de sua produção. Ainda outros não trabalhavam, mas faziam seu pagamento em dinheiro. Alguns vilãos eram quase tão abastados como homens livres, e podiam alugar parte da propriedade do senhor, além de seus próprios arrendamentos. Assim, havia alguns cidadãos que eram proprietários independentes e nunca se viram obrigados às tarefas do cultivo, mas pura e simplesmente pagavam uma taxa a seu senhorio.

E o escravo, desapareceu do cenário feudal?
A escravidão reduziu, na Europa ocidental, à medida que aumentava a servidão. Na Inglaterra do século XII, os escravos realizavam trabalhos domésticos, na França, ao norte do Loire, quase não tinham importância numérica. Então, os escravos não desapareceram na época feudal; gregos e muçulmanos capturados por mercadores, ao longo da costa do mar Negro, Ásia ocidental, África do Norte, foram vendidos e utilizados no trabalho do campo, doméstico seja como eunucos, concubinas ou prostitutas. A escravidão adquiriu certa importância na Itália, devido a proximidade com os países muçulmanos, o que possibilitou o comércio de escravos da região do mediterrâneo e da África continental.
Entretanto, predominava na sociedade feudal três ordens definidas: clero, nobreza e servos. Esses grupos sociais deveriam conviver em harmonia, cada um desempenhava funções determinadas.
O bispo Adalberon de Laon ( –1031/1031 ), do século XI, relata que:

Documento 7
O domínio da fé é uno, mas há um triplo estatuto na Ordem.
A lei humana impõe duas condições: o nobre e o servo não estão submetidos ao mesmo regime. Os guerreiros são protetores das igrejas. Eles defendem os poderosos e os fracos, protegem todo mundo, inclusive a si próprios. Os servos por sua vez têm outra condição. Esta raça de infelizes não tem nada sem sofrimento. Quem poderia reconstituir o esforço dos servos, o curso de sua vida e seus inumeráveis trabalhos?
Fornecer a todos alimento e vestimenta: eis a função de servo. Nenhum homem livre pode viver sem eles. Quando um trabalho se apresenta e é preciso encher a despensa, o rei e os bispos parecem se colocar sob a dependência de seus servos. O Senhor é alimentado pelo servo que ele diz alimentar.
Não há fim ao lamento e às lágrimas dos servos. A casa de Deus que parece una é, portanto, tripla: uns rezam, outros combatem e outros trabalham. Todos os três formam um conjunto e não se separam: a obra de um permite o trabalho dos outros dois e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros.

Atividade Para Praticar:

Utilizando-se dos textos 6 e 7, você irá construir um quadro destacando as diferenças entre as categorias de servos feudais. Depois construa uma narrativa histórica sobre as relações de trabalho medievais.
Caracterize e compare o trabalho nas sociedades escravista e feudal. Analise como as relações de trabalho nestas sociedades fundamentam diferenças sócio-econômicas.
Em diferentes sociedades, os seres humanos construíram monumentos de magnífica arquitetura, que ainda hoje encantam pessoas do mundo inteiro. Destacam-se, entre estes, as construções das Pirâmides egípcias, o Coliseu de Roma e também os Castelos Medievais. Observe as imagens representadas nos documentos 8, 9 e 10. Depois produza uma narrativa histórica destacando como foi possível a construção destes monumentos, considerando a tecnologia dos períodos expressos, bem como o trabalho empregado na construção destes monumentos.


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