A História da Medicina no Brasil

Pero Vaz de Caminha, o escrivão da Armada de Pedro Álvares Cabral que aqui aportou, chamou a atenção para a qualidade dos ares, do clima da Terra de Santa Cruz, onde poucos adoeciam e, caso ficassem doentes, rapidamente se curavam. Esse fato repercutiu na Europa, atraindo para nossa terra padres jesuítas doentes. Além do clima, elogios também eram feitos aos animais, particularmente os peixes, que podiam ser ingeridos sem produzirem ”sarna”.

No entanto, com o início da colonização, germes de várias doenças foram introduzidos no país, e as febres começaram a se tornar freqüentes. Com o passar do tempo, a lua e os astros passaram a ser responsabilizados pelas doenças.

O Rio de laneiro, com seu característico calor, foi considerado local insalubre, pois eram comuns as ”insolações”, picadas de insetos, emanações miasmáticas dos pântanos e das beiras dos rios, e epidemias importadas. As águas da baía de Guanabara, envenenadas pelos baiacus, eram consideradas impróprias para o banho.

Enfim, o clima tropical passou a ser considerado muito forte para os europeus e as doenças próprias desse clima, as dramadas “doenças tropicais”, constituíam sério risco à vida do homem. Ademais, aos alimentos da terra, considerados indigestos, eram atribuídas várias doenças, algumas, inclusive, fatais como, por exemplo, a hidropsia.

A aclimatização do europeu ao ambiente tropical era muito penosa. Os padres jesuítas que chegavam ao Brasil eram tratados profilaticamente com sangrias, banhos periódicos, dieta vegetariana para diminuir a força do sangue e purgativos no início de cada estação. Era necessário fazer uma adaptação ao clima tropical, incluindo medidas higiênicas que que constavam de orientações dietéticas como evitar comer carne seca, moderar a alimentação, a ingestão de bebidas alcoólicas e os excessos sexuais ”que o clima propiciava”.

Devido à sua extensão territorial, com peculiaridades climáticas variadas conforme a região, o Brasil foi dividido em três zonas tropicais e uma extratropical para melhor caracterizar as morbidades. A primeira zona tropical incluía a bacia do rio Amazonas e seus afluentes, onde predominavam exantemas febris, disenterías, hidropsias, engurgitamento do fígado e hepatites crônicas. A segunda zona tropical incluía a região Nordeste, considerada ótima para a recuperação de tuberculosos pelo seu clima, porém havia doenças freqüentes, como febres, diarréias, doenças reumáticas e catarrais e inflamações dos olhos. Na terceira zona tropical, englobando Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e litoral de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, predominavam o reumatismo, as doenças do fígado, erisipelas e a sarna. Na região extratropical, compreendida pelo interior de São Paulo e pelo Rio Grande do Sul, o reumatismo inflamatório era predominante.


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