História do Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma das doenças relacionada a deficiência hormonal mais freqüentes tanto em adultos com em crianças. Na grande maioria das vezes é resultante de um defeito ou uma destruição da glândula tireóide que pode ser congênito ou adquirido (hipotireoidismo primário), podendo ser também hipofisário por deficiencia da tireotrofina – TSH (hipotireidismo secundário), hipotalâmico por deficiência do hormônio liberador da tireotrofina – TRH (hipotireoidismo terciário) ou devido a resistência generalizada ou parcial dos tecidos aos hormônios tireoideanos.

O hipotireoidismo apresenta vários efeitos sobre os órgãos alvos com uma grande variedade de repercussões clínicas podendo ser acompanhado de hipercolesterolemia, alterações da pressão arterial e estar associado ao risco de desenvolvimento de doença cardiovascular, com um alto impacto econômico social. A prevalência do hipotireoidismo varia consideravelmente de país para país. Vários fatores podem afetar esta prevalência como sexo, origem étnica e quantidade de iodo na composição da dieta. A incidência de hipotireodismo congênito varia de 1:2.300 a 1:5.000 nascidos brancos e 1:3.500 nascidos negros, porém nas áreas de carência de iodo pode chegar a 1:200. Estima-se que na forma franca, o hipotiroidismo adquirido nos adultos, apresenta uma prevalência de 0,3% enquanto que na forma subclínica é de 4,3% com incidência maior entre idosos, com taxas de 1,7 para a forma franca e 13,6% para a forma subclínica após os 60 anos e de 25% para mulheres acima de 65 anos.

No hipotireoidismo congênito os sinais mais precoces são caracterizados por icterícia prolongada ou recorrente, atraso na queda do funículo umbilical e hérnia umbilical. O choro é rouco, e os sons emitidos são graves. Nos primeiros meses, outros sinais tornam-se presentes: dificuldade alimentar, ganho de peso insuficiente, respiração ruidosa, congestão nasal, distúrbios respiratórios, obstipação, letargia, pele seca, fria, pálida e com livedo reticularis.

Contudo, esses sinais e sintomas nem sempre se apresentam de modo evidente, podendo-se perder um tempo precioso para o início do tratamento. Há atraso irreversível do desenvolvimento neuro-psicomotor (DNPM) e do crescimento, e suas proporções corpóreas são desarmônicas, os membros inferiores são curtos se comparados ao tronco. Quanto ao hipotireoidismo adquirido a Tireoidite de Hashimoto (TH) é a causa mais comum. No hipotireoidismo da criança com início mais tardio, o retardo mental pode ser menos evidente, porém o crescimento será afetado e estas crianças terão atraso da maturação óssea.

No adolescente, o hipotireoidismo pode exteriorizar um quadro clínico de evolução mais lenta, com fadiga, dificuldades escolares, obstipação intestinal, pele e cabelos secos, queda de cabelo, unhas quebradiças, intolerância ao frio e apetite diminuído, ressaltando-se que a obesidade não é característica do hipotireoidismo. As meninas podem apresentar irregularidades menstruais, sendo que o aumento do fluxo é mais comum do que amenorréia. Nos adultos a incidência de TH parece estar aumentando, com uma incidência maior em regiões com maior aporte dietético de iodo. A tireóide pode ser impalpável ou aumentada de volume com uma consistência firme e irregular. Os pacientes evoluem com hipotireoidismo subclínico por longos períodos de tempo.

O hipotireoidismo subclínico é definido como elevação dos níveis de TSH com T4 livre dentro da normalidade e o paciente geralmente está assintomático embora uma avaliação clínica mais cuidadosa mostre algumas anormalidades importantes. Em grande número de casos o hipotireoidismo subclínico pode evoluir para o hipotireoidismo franco. Durante o período gestacional é de extrema importância o diagnóstico precoce, o obstetra deve ter especial atenção com o hipotireoidismo, tendo em vista as conseqüências para o concepto e para a própria gestante. Na gestação, o hipotireoidismo clínico tem uma prevalência de 0,3 a 0,7%; já estudos sobre o hipotireoidismo subclínico, relatados na literatura, apresentam uma prevalência bem maior em relação ao hipotireoidismo manifesto, com índice de prevalência em torno de 2,5%. De modo geral, as anormalidades da função tireoidiana durante a gestação podem afetar até 10% de todas as gestantes. A alta prevalência de disfunções tireoidianas, associadas às repercussões obstétricas nas gestantes, bem como o potencial papel da disfunção da tireóide materna influenciando o desenvolvimento fetal.

O hipotireoidismo pode ser de difícil diagnóstico clínico quando presente nas faixas extremas de idade. Nos idosos, pode ocorrer retardo cognitivo grave, podendo ser confundido tanto com demência senil, quanto demência precoce. Os objetivos do tratamento do hipotireoidismo são atenuar os sintomas e deixar o TSH sérico no valor médio dos limites de referência (0,5 – 4,0 um/mL).A medicação de eleição é a Levotiroxina. A etiologisa do hipotiroidismo pode influenciar a dose de reposição.

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