A filariose Linfática ocorre pelo parasitismo de helmintos nematoda das espécies, Brugia malayi e Brugia timori e Wuchereria bancrofti, sendo este último parasita responsável pela bancroftose. A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito durante o repasto sanguíneo. Os parasitos da W. bancrofti são transmitidos principalmente pelo Culex quinquefasciatus e algumas espécies de Anopheles.
Conhecida também como elefantíase, esta doença é causada por um verme chamado de Wuchereria bancrofti. Ele se localiza no interior dos vasos linfáticos. Como mede alguns centímetros de comprimento, sua presença nos vasos linfáticos vai dificultar a circulação da linfa que extravasa para os tecidos vizinhos. O derrame do líquido nos tecidos provoca um edema (inchaço) crescente, principalmente nos membros inferiores (conforme a figura ao lado), que assume grandes proporções justificando o nome popular da doença: elefantíase. Em alguns casos mais graves pode haver a invasão de outros órgãos pelo parasito, como testículos e mamas. A transmissão dessa doença é feita por contágio direto, ou seja, pois depende da ação de um transmissor ou vetor, que nesse caso é o mosquito fêmeo do gênero Culex.
As manifestações clínicas caracterizam-se por um amplo espectro associado à presença dos parasitos adultos ou das microfilárias, o qual abrange desde a presença de indivíduos sem doença clínica aparente (portador assintomático) até manifestações relacionadas com inflamação aguda linfática e também patologia linfática crônica. Outras manifestações menos comuns como a eosinofilia pulmonar tropical são resultado de hiper-reatividade imunológica do hospedeiro humano às microfilárias e antígenos do parasito.
A filariose linfática (FL) é uma doença negligenciada, de caráter debilitante, que acomete cerca de 120 milhões de pessoas em todo mundo. Estimativas na década de 90 apontavam que cerca de 100 milhões de pessoas acometidas pela doença em todo o mundo. Atualmente é considerada uma das sete doenças passíveis de erradicação global, devido a certas características biológicas do parasito e às estratégias de intervenção disponíveis, como o lançamento do plano de eliminação da FL até o ano de 2020 organizado pelo OMS, em 1997.
No Brasil, década de 1950, foram realizados diversos inquéritos hemoscópicos em todo o País, foram identificadas as áreas de transmissão ativa e definidas as áreas prioritárias para as intervenções. Desde então, uma série de ações foram implantadas com o propósito de combater a endemia. Em determinadas áreas endêmicas (sul do País) foi introduzido o tratamento em massa, certamente contribuindo para a eliminação da doença naquelas áreas específicas. Atualmente as áreas com transmissão estão restritas à Região Metropolitana do Recife (RMR).
Deve-se ressaltar que, embora a transmissão esteja restrita à Região Metropolitana do Recife, pelo fato de não haver barreiras migratórias entre os estados brasileiros, pacientes com a doença podem se deslocar para ou mesmo passar a residir em qualquer região do País, possibilitando teoricamente a instalação de novos focos.
Descrição da Doença
Existem 3 formas básicas de apresentação da doença:
• Infecção assintomática – os pacientes não apresentam sintomas de filariose linfática, mesmo com a presença do parasito;
• Doença aguda – febre filarial (dor, inflamação dos linfonodos, geralmente acompanhada por náuseas e vômitos);
• Doença Crônica – pode ocasionar linfedema em ambos os sexos, bem como hidrocele em homens ou aumento das mamas em mulheres.
A filariose bancroftiana é importante causa de incapacidade, estigmatização social e reduções das oportunidades e qualidade de vida por injunções psicossociais e econômicas decorrentes da doença, assim como considerável sobrecarga para os recursos de saúde e hospitalares, devido especialmente ao custo das intervenções cirúrgicas.
Características Clínicas e Epidemiológicas
Descrição:
Doença parasitária crônica de caráter endêmico, conhecida popularmente como Elefantíase.
Agentes Causais:
Causada pelo verme nematóide Wuchereria bancrofti, a Filariose Linfática é transmitida pela picada do mosquito Culex quinquefasciatus (pernilongo ou muriçoca) infectado com larvas do parasita, presente nas regiões tropicais e subtropicais.
Mecanismo de Ação:
Através da picada do mosquito, as larvas infectantes migram para o sistema linfático, havendo o desenvolvimento desses parasitas. Com sua reprodução a eliminação em grande número de microfilárias na corrente sanguínea é existente causando linfedema.
Susceptibilidade e Imunidade:
O ser humano é o único reservatório da Wuchereria Bancrofti, sendo susceptível em qualquer idade e não existe vacina para essa doença.
Manifestações Clínicas:
As possíveis manifestações clínicas estão na dependência do sucesso no desenvolvimento dessas larvas e também do local onde se alojaram os vermes adultos, podendo variar desde ausência de sintomas, até quadros graves como a elefantíase.
Tratamento:
O antiparasítico usado é dietilcarbamazina (DEC) que elimina as microfilárias e o verme adulto. Pode-se recorrer a cirurgia reparadora em caso de elefantíase (fase crônica da doença). É usado também o ivermectina, destaca-se pelo excelente e prolongado efeito microfilaricida.
Saiba Mais:
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