História dos Esportes Hípicos

Equitação: A equitação pode ser compreendida como atividade esportiva de competição e de lazer. As modalidades esportivas praticadas no Brasil seguem quatro vertentes mais ou menos definidas: o Hipismo Clássico, o Hipismo Rural, a equitação de lazer e a equitação terapêutica. As atuais provas do Hipismo Clássico foram formatadas pelas cavalarias da Europa entre 1500 e 1900 da nossa era, e representam o treinamento militar (CCE), equitação-arte (Adestramento) ou competições esportivas (Salto e Pólo). As provas de Hipismo Clássico mais praticadas no Brasil são o adestramento, CCE, enduro, pólo e volteio. A origem da equitação situa-se há cerca de 6.000 anos nas estepes da Ásia Central em conseqüência da simbiose biológica da espécie Homo Sapiens com o Equus caballus. Esta simbiose causou um tal impacto sobre as relações humanas que todas as atuais civilizações de vanguarda foram formadas na Era Eqüestre, que vicejou de 1500 antes de Cristo até 1900 d.C. As sociedades desprovidas de cavalos jamais ultrapassaram a condição de cidade/estado. Tal importância para o desenvolvimento da civilização preserva-se até hoje nos rituais e procedimentos dos esportes hípicos. E, entre os países que possuem tradições eqüestres insere-se o Brasil, cuja memória esportiva pode ser tematizada como se segue de modo resumido, com base em Renyldo Ferreira (2003).

1641:
O mês de abril deste ano marca o início da equitação esportiva no país quando se realizou o Torneio de Cavalaria por ordem do governador-geral, príncipe Maurício de Nassau, em Cidade Mauricea, Pernambuco. Participaram da competição cavaleiros holandeses, franceses, alemães, ingleses, portugueses e brasileiros. A época era do domínio holandês no nordeste brasileiro, mas os portugueses e brasileiros foram os vencedores da competição.

Séculos XVIII e XIX:
Neste período eram comuns as cavalgadas e os torneios esportivos informais (corridas, simulações de combate e disputas com lança e espada contra bonecos de palha) em diversas regiões do Brasil. A equitação como atividade esportiva organizada tornou-se mais evidente desde 1810 uma vez que a então Academia Real Militar, que formava oficiais do Exército, a incluía entre suas disciplinas, em conjunto com a esgrima e a natação. Além disso, no Rio de Janeiro-RJ, em especial, registram-se notícias na imprensa local sobre corridas rasas, desde 25 de maio de 1814. Em 1847, cria-se o Clube de Corridas também no RJ, que teve como primeiro presidente Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. A partir deste evento e reconhecendo a importância do cavalo como arma de guerra, o Governo Imperial – por iniciativa de Caxias – procurou melhorar a criação nacional, importando da Europa garanhões puro sangue inglês (PSI). Em São Paulo-SP, outra personalidade incentivava as corridas no Campo da Luz: a Marquesa de Santos, que descobrira o prazer de montar a cavalo em 1830. O campo da Luz deu origem, em 1875, ao Clube de Corridas Paulistano, que mais tarde passou a se chamar Jockey Club da Mooca, o precursor do atual Jockey Club de São Paulo.

1863: A prática da equitação acadêmica foi introduzida no Brasil pelo brasileiro Luiz Jácome de Abreu e Souza, que estudara na Inglaterra, onde assimilou os princípios eqüestres do Duque de Newcastle, tornando-se um respeitado especialista em hipologia, criação e corridas de cavalos. Embora montar a cavalo já fosse uma prática generalizada no Brasil, não se implantara, todavia uma preparação baseada num adestramento racional e sistemático, como já ocorria na Europa, em diferentes escolas como Versalhes (1680), Espanhola de Viena (1735) e de Cavalaria de Saumur (1834). Em 1869, Jácome foi contratado como professor da princesa Leopoldina e agraciado pela Família Imperial com o posto de capitão honorário da Guarda Nacional, em reconhecimento às suas qualidades como mestre e à contribuição para a difusão da equitação acadêmica. A simpatia da Corte pela equitação teve influência da princesa Leopoldina, que em suas aulas e cavalgadas, pela Quinta da Boa Vista-RJ era acompanhada pelos aristocratas.

1900:
A partir deste ano, Jácome começa a difundir os princípios do Duque de Newcastle no Regimento de Cavalaria de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro. Entre seus discípulos estavam os tenentes Armando Baptista Jorge, Lacerda Gama, Lima Mendes, Euclydes Figueiredo, Orozimbo Pereira e Antônio da Silva Rocha, nomes que hoje figuram em picadeiros de adestramento de todo o país. Antes da 1ª Grande Guerra, Lima Mendes e Euclydes Figueiredo participaram também de cursos de equitação em Hannover, Alemanha. Em 1911, Jácome cria um dos primeiros clubes hípicos do Brasil, o Club Sportivo de Equitação – hoje Centro Hípico do Exército, localizado na Avenida Bartolomeu de Gusmão, no Rio -, nos terrenos das antigas cocheiras dos animais da princesa Leopoldina, formando com o clube hípico da Rua Silva Jardim (1909) e o Centro Hípico Brasileiro, na Praia Vermelha (1910), a base da equitação esportiva do Rio de Janeiro.

1906: Em São Paulo, o então secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, Washington Luís, contrata uma Missão Militar Francesa para instruir a tropa da Força Pública. Com a chegada da Missão, os cavaleiros civis, que antes se dedicavam principalmente às cavalgadas, jogos das rosas, caça à raposa e corridas, passam a se interessar pelo salto de obstáculos, utilizando a área central do velódromo da cidade para as competições. Para aprender a saltar, os civis se organizam para fundar uma sociedade hípica e assim surgiu, em 1911, a Sociedade Hípica Paulista-SHP, com sede no bairro da Aclamação de São Paulo-SP.

Modalidades de Hipismo Clássico

Origens: O hipismo apareceu pela primeira vez como demonstração nos Jogos Olímpicos de Paris-1900, passando a ser reconhecido oficialmente como esporte olímpico nos Jogos de Estocolmo-1912. Em 19 de dezembro de 1941 foi criada a Confederação Brasileira de Hipismo-CBH por iniciativa das Federações Paulista de Hipismo (SP), Hípica Metropolitana (RJ) e Hípica Fluminense (Niterói-RJ). A equipe do Brasil se fez representar pela primeira vez em Jogos Olímpicos em 1948, nas Olimpíadas de Londres. Em 1950, foi organizado o Concurso Hípico Internacional do Rio de Janeiro, um evento bem sucedido que consolidou a representatividade dos esportes hípicos brasileiros. Antes desses três marcos do esporte nacional houve uma longa e profícua jornada de desenvolvimento dos esportes hípicos tendo como base o Rio de Janeiro e São Paulo, tanto no meio militar como no civil como se registra a seguir.

Salto / Jumping

Definição e Origens: O salto é uma prova praticada em pista de areia ou grama, onde o cavaleiro deve transpor de 12 a 15 obstáculos (postes duplos e paralelos, fosso de água com 5 metros, barras triplas, muros de tijolos, cercas e encostas), distribuídos por um percurso de 700m a 900m. Cada cavaleiro faz duas passagens pelo mesmo percurso. Uma característica da prática da equitação do início do século XX foi a dedicação dos militares à equitação clássica, mais especificamente ao salto. Um marco de mudança foi a vinda para o Brasil, em 1906, da Missão Militar Francesa – René Demirgian e Fréderic Stattmüller- para instruir a tropa da Força Pública. Os cavaleiros civis então, interessados em aprender a saltar de acordo com as técnicas da equitação francesa, se reuniram e fundaram, em 1911, a Sociedade Hípica Paulista-SHP, no bairro da Aclimação, em São Paulo-SP. Entre os melhores representantes da SHP nesse período estão Guilherme e Eduardo Prates, filhos do Conde de Prates, então presidente da SHP, Celso Correa Dias e a amazona Candinha Prates que montava de lado, em seleta especial. A presença e o desempenho das mulheres brasileiras nas provas de salto merece destaque especial. Contemporânea de Candinha Prates, outra paulista, Graziela Porchat, também montava de lado. Essas duas mulheres marcaram a presença feminina nas provas de salto até o final da década de 1930. Em 1920 é introduzida a prova de CCE no Brasil. Em 1922, o Rio de Janeiro-RJ foi sede do primeiro concurso de salto internacional (CSI) e Clóvis Camargo bate o recorde brasileiro de salto em altura com a marca de 2m30.

Década de 1930: Este período é marcada por um grande número de competições em São Paulo-SP, quando ficou evidente o aperfeiçoamento do estilo de salto dos cavaleiros que seguiam o modelo preconizado por Federico Caprilli, capitão do exército italiano.

Década de 1940: O Rio de Janeiro, neste estágio, se destacou na promoção e provas de salto aumentando muito o número e a qualidade dos participantes civis, entre eles Roberto Marinho, jornalista já de renome nacional. Mulheres arrojadas também faziam parte desse grupo, como Nair Aranha e Vera Alegria. Nessa época, a paulista Antonieta Revoredo tornou-se a primeira mulher a transpor 2 metros no salto em altura. O nome de Roberto Marinho se destacou no cenário hípico não só como atleta mas também por ações que promoveram a equitação clássica brasileira nos anos seguintes. Após a 2ª Guerra ele trouxe para a Sociedade Hípica Brasileira, no Rio de Janeiro, o capitão de cavalaria polonês Roman Polorowsky que marcou época e contribuiu muito para a formação de vários e eficientes cavaleiros e, principalmente, amazonas. Neste estágio, a Escola de Equitação do Exército foi reaberta em sede própria, em Realengo – RJ, oferecendo curso de formação de instrutores voltado para oficiais, mas com pelo menos dois civis incluídos em cada turma. Foram formados cavaleiros de nível internacional, respeitados instrutores e dedicados homens de cavalo que fundaram muitas das agremiações brasileiras e tornaram-se dirigentes de clubes, federações e da própria Confederação Brasileira de Hipismo-CBH. Em 1949 José Bonifácio Amorim bate o recorde no salto em altura com a marca de 2m17 e Antonieta Revoredo bate o recorde feminino com a altura de 2m00.

Década de 1950:
No primeiro ano desta década, no Rio de Janeiro-RJ, acontece o primeiro destaque brasileiro em provas de adestramento com a participação de Rubem Continentino, no Concurso Hípico Internacional-CHI do Rio de Janeiro. Em 1951, Anísio Rocha, com Adonis, conquistam o quarto lugar no CCE durante os Jogos Pan-Americanos de Buenos Aires. Em 1952, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, o Brasil conquista um quarto lugar individual com Eloy/Biguá e um quarto lugar por equipe. Em 1956, a equipe brasileira que participou dos Jogos Olímpicos de Estocolmo-Hipismo (a sede dos Jogos foi em Melbourne, Austrália) foi composta por dois militares, Eloy Menezes e Renyldo Ferreira, e por dois civis, Pedro Lopes Corvello e Neco – Nelson Pessoa, até hoje um dos maiores nomes do hipismo mundial. Neco classificouse em décimo lugar. Em 1959, a equipe brasileira de salto – Neco, Carvalhinho, Francisco Leite Neto e Renyldo- ganham a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Chicago. Em 1963, São Paulo foi sede dos Jogos Pan-Americanos e o hipismo brasileiro participou das provas de adestramento (6º,7º e 8º lugares), CCE (7º lugar) e salto (5º lugar por equipe e 7ºlugar individual com Antônio Alegria).

Década de 1980:
O investimento na formação dos cavaleiros tornou-se mais evidente a partir desta década, quando a Confederação Brasileira de Hipismo-CBH, a exemplo do que já ocorria em São Paulo, procurou levar o hipismo ao público leigo do restante do Brasil, promovendo provas fora dos clubes hípicos. Uma figura que merece destaque nesse período é a de Paulo Gama Filho que, em sua gestão como presidente da CBH, estimulou as federações a organizarem competições em praça pública. Várias cidades como Salvador, Recife, Belém, Goiânia, Anápolis, Petrópolis, Miguel Pereira e Paty do Alferes realizaram torneios com essa orientação. Na cidade do Rio de Janeiro, muitas provas foram disputadas no Parque da Cidade e no Barra Shopping, de acordo com o plano do Concurso Hípico em Arena Pública-CHAP. Paulo Gama Filho deu continuidade à sua iniciativa e, em 1982, incentivou a realização de estudos com o objetivo de estabelecer um sistema de trabalho semelhante ao Hunter Seat Equitation (vitorioso sistema norte americano), para melhorar a formação dos cavaleiros brasileiros. Como resultado, houve a primeira clínica “Sul América Equitation”, com a participação de conceituados instrutores norte-americanos. A década de 1980 foi marcada pelo surgimento de importante quantidade de novos clubes, manéges, haras e centros eqüestres em todo o Brasil, principalmente no eixo Rio-São Paulo. As equipes brasileiras passaram a se destacar nas principais provas de salto internacionais como, por exemplo, na Copa das Nações, em Aachen 1987, com o 3º lugar por equipe, com a participação de uma mulher, e Neco (Nelson Pessoa) vencendo o GP da Europa em 1989.

Década de 1990:
Esta década é citada como áurea do salto, pelos triunfos dos brasileiros pelo mundo. Destaque para o nono lugar individual de Rodrigo Pessoa, em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, cavaleiro mais jovem a participar de uma Olimpíada. Em 1995, nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata, o Brasil tornou-se expressão máxima no salto, no continente americano, quando conquistou a medalha de ouro por equipe e o quarto lugar individual. O sonho de uma medalha olímpica no salto foi concretizado com a conquista do terceiro lugar por equipes na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Em 1999 a equipe brasileira sagrouse tetra-campeã nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. O final do século XX foi marcado por dois fatos significativos para o Brasil nas provas de salto: o cavaleiro Rodrigo Pessoa ocupando o segundo lugar no ranking mundial de saltos da Federação Eqüestre Internacional-FEI, atrás apenas do suíço Willi Mellinger, e o Brasil inteiro à frente dos aparelhos de televisão, à meia noite, torcendo por Rodrigo Pessoa e Baloubet du Rouet, última chance de uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Sidney. O resultado não foi o esperado mas, ainda assim André Johannpeter conquista um honrado e muito bem colocado 4º lugar individual.

Situação Atual: O salto sempre foi o esporte eqüestre mais lembrado pela mídia e é o que tem mais patrocinadores privados. Apenas a Associação Brasileira de Hipismo Rural-ABHIR, por exemplo, distribuiu 200 mil reais em premiações em 21 eventos organizados durante a temporada de 2001. Tanto em nível nacional quanto estadual, o hipismo de base tem recebido a atenção dos dirigentes, com a equitação fundamental recebendo seus próprios campeonatos. No estado de São Paulo, 35 provas para escolas de equitação foram previstas para a temporada de 2002. A Federação Paulista de Hipismo-FPH indica uma tendência de aumento de 20% anual de cavaleiros e cavalos registrados, o que equivale, em 2002, a 1.150 cavalos e 680 cavaleiros. Segundo Leschonski (2002), a atividade base é tanto causa como conseqüência dos resultados internacionais de duas medalhas de bronze olímpicas por equipe, um campeonato mundial individual e o tri-campeonato da Copa do Mundo. Ainda que boa parte desses resultados seja de cavaleiros brasileiros radicados no exterior, essas conquistas estão certamente ligadas ao interesse dos jovens cavaleiros e amazonas do Brasil.

Adestramento / Dressage

Definições e Origens: Na prova de adestramento o atleta percorre uma área demarcada de 60m de comprimento por 20m de largura, devendo executar, dentro de um limite de tempo, uma série de figuras (chamadas reprises), que podem ser em círculos, movimentos diagonais e outras formas geométricas. Em 1955, no Rio de Janeiro, aconteceu o 1º Campeonato Brasileiro de adestramento, com uma acirrada disputa entre Rio e São Paulo. Em 1963, São Paulo foi sede dos Jogos Pan-Americanos e o hipismo brasileiro participou das provas de adestramento (6º, 7º e 8º lugares), CCE (7º lugar) e salto (5º lugar por equipe e 7ºlugar individual com Antônio Alegria). No Adestramento clássico Gérson Borges é um dos maiores nomes da modalidade. Sylvio Marcondes de Rezende e Jorge Ferreira da Rocha foram os dois únicos brasileiros a participar de uma olimpíada nesta modalidade.

Concurso Completo de Equitação – CCE / Eventing

Definições e Origens: Esta modalidade é o triatlo eqüestre nas categorias superiores com três provas nas quais, além do salto e do adestramento, os cavaleiros participam de um “cross country” que inclui saltos de obstáculos naturais (troncos, cercas viva, tanque d´água), subida e descida de rampas. A prova do primeiro dia é de Adestramento, numa versão simplificada de 6 minutos. No segundo dia, é realizada uma prova de fundo, com duas fases de trote de 12 a 15 quilômetros na velocidade de 220 m por minuto. A fase de cross-country de 3 a 8 quilômetros com até 40 obstáculos “naturais” a uma velocidade de 550 a 690m por minuto num percurso total de até 24 quilômetros com seis a nove obstáculos fixos, construídos ou naturais. O terceiro dia é encerrado com um concurso de Salto, num percurso de até 700 metros montado com até 12 obstáculos artificiais. O CCE faz parte da programação olímpica. Em 1948, em Londres, o Brasil participou da prova de CCE. Ainda neste ano, aconteceu a primeira apresentação oficial de adestramento no Brasil.

Volteio / Vaulting

Definições e Origens: O volteio se apresenta de diversas formas, dependendo da cultura e do contexto onde é realizado, como por exemplo o volteio circense, o volteio turco e o volteio western. Enquanto esporte olímpico trata-se de uma atividade acrobática na qual um grupo de volteadores, ou um volteador, executam exercícios sobre um cavalo a galope em arena circular fechada. Tais exercícios apresentam componentes de dificuldade acrobática, precisão na execução e estética, devendo integrar-se harmoniosamente com os movimentos do cavalo. No Brasil, o volteio foi utilizado inicialmente como exercício militar nas Cavalarias para depois ser introduzido como esporte pelo Tenente Manuel Henriques em 1978, no Departamento Hípico do Clube de Campo de São Paulo-SP. Em 1982, Priscila Botton iniciou um trabalho que resultou na primeira participação de uma equipe brasileira em concursos internacionais de volteio, a partir de 1985.

Enduro / Endurance

Definições e Origens: O enduro é uma prova que tem sua origem ligada aos mensageiros reais ou de companhias privadas que cumpriam longas distâncias a cavalo, no menor tempo possível, respeitando, porém a capacidade física de seu cavalo. Entre as provas antes citadas, o enduro é a única não olímpica. A primeira prova de enduro que se tem conhecimento no Brasil, aconteceu em 1989.

Pólo / Polo

Definições e Origens: Trata-se de um dos mais antigos esportes eqüestres, um dos poucos a ser jogado com uma bola, e o único que não surgiu da equitação trabalho. O pólo é praticado numa pista de 275×180 metros e é um dos jogos mais velozes e mais difíceis hoje existentes. O jogo dura menos de uma hora e é dividido em tempos de sete minutos e meio chamados de chukkas. A partida é disputada entre dois times com quatro jogadores cada. Os jogos, de acordo com seu nível, são divididos em quatro, cinco ou seis chukkas. Os cavalos são trocados a cada chukka, e nenhum animal joga mais de dois chukkas por partida. Ganha o time que fizer mais gols. Este esporte apareceu, provavelmente, na China e de lá foi introduzido na Pérsia e na Índia. A sua etimologia vem de pulu, a palavra Tibetana para bola. Na Pérsia antiga o pólo era jogado por cavaleiros e amazonas. O pólo só chegou às sociedades ocidentais no século XIX, quando oficiais e funcionários do governo britânico em visita à Índia aprenderam o jogo com as tropas nativas. O primeiro clube da modalidade foi fundado no vale de Cacher em Manipur, fronteira da Índia com a Birmânia. O pólo chegou ao Brasil na década de 1930, trazido por empresários entusiastas do esporte na Europa. Com a revolução de 1932 em São Paulo, houve uma queda no número de participantes somente recuperado nos anos de 1970 como resultado das facilidades concedidas pelo governo brasileiro quanto à importação de cavalos e estímulo ao intercâmbio com criadores e jogadores argentinos, líderes deste esporte na América Latina.

Situação Atual: Hoje, o pólo tem aproximadamente 500 participantes no Brasil, sendo 50% deles no Estado de São Paulo. Os outros estão no RS, RJ, MG e Brasília. Em São Paulo, a região de Helvetia, no município de Indaiatuba, a 100 quilômetros da capital, é o maior centro de concentração de campos de pólo do Brasil. Ao todo, o município tem 22 campos oficiais, distribuídos em fazendas particulares e clubes que organizam torneios disputados durante o ano inteiro. O segundo maior centro está em Orlândia-SP, nas proximidades de Ribeirão Preto, onde a temporada começa em março e termina em novembro, com jogos todos os sábados e domingos.

Hipismo Rural / Western

Definições e Origens: São consideradas modalidades de Hipismo Rural as atividades eqüestres que surgiram em torno da lida com o gado em campo aberto, como a vaquejada, e o trabalho realizado no curral como a apartação. O esporte nasceu com brincadeiras nas fazendas, nas festas de bairros, nas exposições em pequenas cidades, através das gincanas, provas de cadeira, de argola, de botina, nas vaquejadas, etc. Vendo a habilidade dos cavalos e a possibilidade de melhor explorar esse potencial, algumas pessoas iniciaram as primeiras provas que tinham como objetivo superar obstáculos naturais, vencer distâncias através de picadas, desafiar morros, ou simplesmente exibir peripécias nas rédeas.

1970-71:
Um grupo de fazendeiros das regiões de Mococa, Avaré e Franca em SP, liderados pela família Rossetti, começou a promover corridas entre fazendas. O objetivo era vencer um percurso livre entre dois pontos fixos (partida e chegada) no meio do pasto, atravessando um rio, abrindo cercas e enfrentando outros obstáculos naturais, como descer e subir barrancos. A equipe vencedora era a que chegasse na frente, depois de percorrer cerca de três quilômetros. Partidários de emoções fortes, cavaleiros se empolgaram e montaram um regulamento, introduzindo na disputa as figuras de tambor e baliza, em que os cavalos demonstravam sua características funcionais, numa prova ao cronômetro chamada de “corta-mato”. Este tipo de competição virou mania e, com a evolução, nasceram novos critérios, como a introdução da margarida, do coração e do recuo. Enfim, a prova foi dividida em cross, rédeas e salto/picadeiro.

1979:
Neste ano, o esportista Pedro Victor Delamare, junto com Ricardo Lenz César, Ricardo Gonçalves e Gilberto e Olímpio Rossetti, começou a promover competições mais organizadas, iniciando em Campos de Jordão-SP, a prova cavalo completo rural. Delamare conseguiu então organizar o primeiro torneio com patrocínio.

Décadas de 1980 – 1990: Em 1980, os criadores de cavalos árabes realizaram o primeiro torneio funcional da raça. Em 1982, a competição foi aberta para todas as raças. Em novembro, os participantes das competições fundaram uma entidade para agregar o esporte, batizado com o nome de “hipismo rural” pelo jornalista Chuck Woodward, diretor da revista “Hippus” à época. Assim nasceu a Associação Brasileira de Hipismo Rural-ABHIR, que teve como primeiro presidente o sócio fundador Nicolau Lunardelli Filho (Nick Lunardelli). No começo as provas eram muito simples. Praticamente se montava, passava por obstáculos simples e naturais, contra o cronômetro. Com a evolução técnica das pistas, os obstáculos ficaram mais difíceis, ao mesmo tempo em que se criaram as barreiras de segurança e foi fixado um tempo. Com o crescimento da entidade foram criadas as regionais, inicialmente com as categorias: mirim, e performance. Com a evolução técnica dos cavaleiros, das amazonas e dos animais, a ABHIR ampliou o seu campo de atuação e passou a dominar outras modalidades do hipismo: o salto e o concurso completo de equitação –CCE. O hipismo rural evoluiu e se consolidou como esporte hípico brasileiro, criando as bases de sustentação do CCE, que é um esporte olímpico. Atualmente um grande número de cavaleiros da ABHIR possui experiência internacional e muitos já detêm expressivos resultados em competições de CCE no exterior. O hipismo rural envolve hoje as categorias: escola, mirim-mirim, nível I, nível II, mirim, júnior, máster, performance e força livre. A modalidade de salto também evoluiu muito levando a bons resultados em competições contra o cronômetro nas categorias 1,10m – 1,20m. A entidade já mantém com grande número de participantes, a categoria IV em seu campeonato nacional de salto, com prova de 1,30m e desempate a 1,40m.

Situação Atual:
Em anos recentes, a ABHIR está organizada em sua matriz em São Paulo e em sete importantes regionais: oestepaulista, centro-paulista, leste, vale do rio pardo, centroparanaense, Rio de Janeiro, e Minas Gerais. Conta com três departamentos: hipismo rural, salto e CCE.

Rédeas / Driving

Definições e Origens: Também conhecida como “adestramento do cowboy”, é o esporte eqüestre inspirado na equitação western, de origem mexicana, na qual o cavalo e o cavaleiro aprendem as manobras radicais—spins, turns, esbarros e rollbacks—necessários para manejar o gado no curral. A modalidade rédeas foi aprovada como esporte olímpico e sua estréia aconteceu nos Jogos de Atenas em 2004. A Associação Nacional de Cavalos de Rédeas-ANCR foi fundada em 1989 e com sua sede em Bauru-SP. A ANCR tem como objetivo promover e fomentar o desenvolvimento do cavalo de Rédeas no Brasil. É uma modalidade chancelada pela FEI, incluída nos Jogos Eqüestres Mundiais a partir de 2001, na Espanha, além dos Jogos de Atenas-2004.

Vaquejada / Rodeo

Definições e Origens: Esporte de origem ibérica/mourisca cujo objetivo é derrubar um boi pelo rabo numa carreira de 100 m. A partida tem início com a soltura do boi de um brete que é então perseguido por dois cavaleiros que se emparelham com o animal posicionando-se um de cada lado. Um deles pega o rabo do boi, enrola a ponta na mão, abre o ângulo do galope e executa o derrube na faixa de dez metros marcado com duas linhas de cal. A missão do segundo cavaleiro – o “esteira” – é manter a carreira do animal em linha reta para evitar o zigue-zague e um possível acidente.

Outras Modalidades: Argolinhas, Corridas em dupla, Horseball, Três tambores, Cinco tambores, Seis balizas, Maneabilidade e agilidade, Apartação, Laço ao bezerro, Equitação portuguesa, Western pleasure, Team penning etc.

Esportes hípicos / Equestrian

Situação Atual: Em termos institucionais, os esportes hípicos são administrados no Brasil por 18 federações estaduais (dado do final de 2003), todas vinculadas à Confederação Brasileira de Hipismo-CBH, filiada por sua vez ao Comitê Olímpico Brasileiro- COB e, no exterior, à Féderation Equestre Internationale-FEI. Esta rede de instituições estaduais possuía 8.857 atletas registrados em 2002, sendo 7.035 de saltos; 1.185 de CCE; e 637 de adestramento (COB, 2002). Como havia um total de 541 atletas registrados em 1971 na CBH (DaCosta, 1971), os atletas filiados foram multiplicados 16 vezes nas últimas três décadas. Nestes números – “praticantes regulares”, segundo a FEI – não estão incluídos os praticantes não filiados (“praticantes ocasionais”), geralmente mais voltados para o hipismo de lazer e que totalizam quantitativos bem superiores aos de competição como constam das estatísticas da FEI.Tal particularidade do Brasil, em face aos esportes hípicos, lhe dá uma condição inusitada na comparação internacional: o país destaca-se entre as 118 nações filiadas à FEI que possuem maior número de cavalos de competição, mas está fora do grupo que possui maior número de praticantes ocasionais (ver gráficos e comentários adiante). Mesmo assim, a representatividade esportiva do Brasil aparece de forma positiva nos dados oficiais da FEI, que atribuem ao país um 130 lugar entre aqueles filiados que organizam competições internacionais (Tabela 1), sendo superado em âmbito pan-americano apenas pelos EUA. Hiatos de informação à parte, há evidências que houve uma grande expansão nas atividades hípicas em períodos recentes no Brasil. E a explicação primária deste fato reside no simples crescimento da atividade econômica: todos os esportes, além das suas funções educativas, recreativas e terapêuticas têm também significativo impacto sobre a economia de um país e vice versa. A capacidade dos esportes em dinamizar a indústria e gerar empregos faz deste setor um dos mais desejáveis de uma sociedade moderna. E sob o aspecto econômico nenhum outro esporte pode se comparar com os esportes eqüestres, porque nenhum se desdobra em tantas atividades diferentes. A Indústria Eqüestre, que oferece os produtos e serviços para os esportes eqüestres Clássicos e Rural, reúne dezenas de setores da indústria, comércio, e serviços para a equitação. A Indústria Eqüestre pode ser dividida em dois setores principais: a Indústria da Equitação, que abrange as empresas e profissionais que fabricam produtos e oferecem serviços para o equitador e o seu cavalo; e a Indústria do Cavalo que produz os cavalos para a equitação. A Indústria da Equitação reúne os clubes hípicos, centros eqüestres, escolas de equitação, federações eqüestres, editoras de livros, revistas, jornais, programas de televisão, selarias, alimentação, saúde eqüina, transportes, turismo, vestuário e produção de vídeos etc. Cada setor é desdobrado em ramos de atividades. O ramo de serviços, por exemplo, é dividido em empresas de eventos, empresas de leilões, empresas de publicidade, construtores de pistas, consultores agropecuário/ científico/genealógico, pintores de placas, ferrageadores, treinadores, adestradores, fotógrafos, hipoterapeutas, hospedagem de cavalos, laboratórios, leiloeiros, locutores, maquiladores, rodeios, seguros, shows, etc. Cada ramo da indústria da equitação pode novamente ser desdobrado nas empresas especializadas que a compõe. Por exemplo, no Brasil são 187 as Escolas de Equitação Clássica, Western e de Volteio; em 2001 promoveram cerca de 550 competições; as principais escolas e centro de treinamento ficam em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e Paraná. O ramo de serviços cresceu cerca de 8% ao ano durante os últimos sete anos. A segunda parte da Indústria Eqüestre, a Indústria do Cavalo, também é dividida em setores: associações de registros, criadores, alimentação do cavalo, clínicas veterinárias, produtos de limpeza, cosméticos, manejo, infra-estrutura do haras, empresas de leilões, lojas agropecuárias, máquinas, parques de exposições, selarias, clinicas de saúde eqüina, transporte de animais etc. Cada um destes setores pode ser desdobrado em seus ramos de atividades. Por exemplo, o Registro Genealógico é um ramo da Indústria do Cavalo com cerca de 30 associações que controlam as raças de cavalos criadas no Brasil. Cada associação pode ser novamente desdobrada no seu número de criadores e no total de animais registrados. Os cavalos das raças criadas no Brasil totalizam cerca de 800 mil animais. A indústria do cavalo cumpre com rara eficiência a sua função social: cria empregos no campo, ajudando a estancar a emigração campo/cidade; emprega uma proporção de mão de obra superior a pecuária leiteira: 1 funcionário para cada 6 cavalos; o haras é um empreendimento rural de produção intensiva que requer relativamente pouca área para se tornar produtiva: cerca de 2 cavalos por hectare; nos haras e nas fazendas o contratante oferece casa, luz e água para o contratado, coisas que poucas indústrias urbanas fazem. Se, ou quando, a Industria Eqüestre brasileira apresentar um faturamento semelhante ao da indústria brasileira de carne, como ocorre nos EUA, a sua contribuição ao PIB seria de cerca de 2.5 bilhões de dólares. Cifra importante para um país que só agora está começando a compreender o potencial educativo, social, e econômico dos seus esportes eqüestres. A Indústria Eqüestre brasileira tem excelentes perspectivas de faturamento e a Indústria do Cavalo começou a apresentar sinais de reaquecimento em 2000, depois de um forte esfriamento em 1994.


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