História da Educação Física Escolar

Educação Física Escolar é um elemento do processo educacional formal, que tem como meio específico as atividades físicas exercidas a partir de uma intenção educativa, possibilitando o desenvolvimento das dimensões cognitiva, afetivo-social e motora de crianças e adolescentes através de exercícios ginásticos, jogos, esportes, danças e lutas. Para se abordar as manifestações da Educação Física escolar brasileira, requer, primeiramente, que se estabeleçam alguns marcos de memória gerais que contribuíram para o seu desenvolvimento. Uma definição de partida concerne à interpretação temporal do corpo que, pouco valorizado no período medieval, reconquistou seu espaço no período renascentista, tendo o exercício físico denominado de ginástica desde o século XVIII, recebido maior ênfase na escola.

Marcos Internacionais de Memória

1423: A escola La Giocosa de Mantova foi estabelecida por Vittorino Rambaldoni da Feltre no norte da Itália, primeiro educador a colocar a educação do corpo no mesmo nível das disciplinas tidas como intelectuais.

Século XVII:
A Educação Física não era considerada como um aspecto essencial da educação para ser tratado, salvo em raras exceções.

Século XVIII: A Educação Física já era alvo de atenção a qual eram buscadas soluções, apesar de que, na maioria dos casos, as mesmas se fundamentassem em mero empirismo.

1762:
Jean Jacques Rousseau (1712-1778), enciclopedista e pedagogo suíço, escreveu e publicou a obra “Emílio ou da Educação” em que foi ressaltada a importância do exercício do corpo e do espírito. A Educação Física ocupou uma importante função na concepção de Rousseau, já que era considerado um dos meios mais seguros para se estabelecer relações naturais entre o homem e as coisas (experiência que a criança adquiria sob a ação das coisas externas).

1774:
Johann Bernard Basedow (1723-1790), estabeleceu sua escola-modelo – Philanthropinum, em Dessau, Alemanha, onde a ginástica estava incluída no currículo escolar e possuía o mesmo status que as disciplinas intelectuais. Inicialmente, nessa instituição eram praticadas atividades originárias dos tempos medievais como a equitação, o volteio, a natação, a esgrima, a dança e os jogos, posteriormente, foram acrescentados exercícios naturais como o correr, saltar, arremessar, transportar e trepar.

1784: Christian Gotthilf Salzmann (1744-1811), pedagogo e educador alemão, criou um estabelecimento semelhante ao de Basedow, localizado, também, na Alemanha, na cidade de Schnepfenthal. Era, nele, acentuada a importância da educação sensorial para a formação física, para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da capacidade intelectual do educando, como também, desenvolvido o interesse educativo do esforço, que deveria ser executado de acordo com as possibilidades dos alunos.

1785: Johann Christoph Guts Muths (1759-1839), educador alemão, iniciou a lecionar como professor de Ginástica no Instituto de Schnepfenthal, fundado por Salzmann, e lá permaneceu por 54 anos. A Educação Física para Guts Muths possuía, então, o objetivo de exercitar uma ação educativa destinada a harmonizar o corpo com as forças espirituais e morais e desenvolver, na criança, qualidades e capacidades que lhe permitisse superar obstáculos de caráter físico. Observa-se, também, a sua preocupação em proporcionar às mulheres atividades físicas, fundando a primeira escola de ginástica feminina onde os exercícios físicos eram adaptados ao sexo, como, também, possuía a consciência do valor que o esporte oferecia à formação física e da personalidade da juventude.

1794: Gerhard Ulrich Anton Vieth (1763-1836) publicou o primeiro de três volumes de sua obra “Ensaios de uma Enciclopédia dos Exercícios do Corpo” (Versuch einer Enzyklopädie der Leibesübungen), onde atribuía importância à prática do exercício físico para a formação moral e física do indivíduo e insistia na obrigatoriedade de Educação Física nos âmbitos da escola e da universidade. Afirmando que os exercícios físicos deveriam visar o aperfeiçoamento completo do corpo humano, Vieth os classificava de acordo com as diferentes partes do corpo em exercícios simples e combinados. Preferia, entretanto, classificá-los em exercícios passivos (exercícios de oscilação, atitudes, fricções e massagens, banho e exercícios de endurecimento) e exercícios ativos, que se dividiam em exercícios para os sentidos e para os membros, como marchar, corridas, exercícios de trepar, saltos, dança, exercícios de tração e de repulsão, lançamentos, lutas, esgrimas, volteios e transporte de fardos, além da patinação, do tiro, da equitação e de jogos diversos. Vieth tornou-se o primeiro professor de ginástica a demonstrar a necessidade de se proporcionar ao exercício físico uma base anátomo-fisiológica tendo em vista a sua preparação científica, que lhe permitia compreender e delinear os efeitos biológicos e higiênicos da ginástica, como também, estabelecer uma relação de causa e efeito entre a atividade física e as suas influências sobre o corpo.

1799:
Vivat Victorius Franziskus Nachtegall (1777–1847), educador dinamarquês, influenciado por Guts Muths, inaugurou seu ginásio particular ao ar livre, primeira instituição européia dos tempos modernos, direcionada exclusivamente ao ensino da Educação Física, que ocupou lugar de destaque nos meios educacionais europeus por mais de 25 anos. Nachtegall acreditava num programa de Educação Física de natureza ampla, mas, com a destruição de seu Instituto pelos bombardeios a Copenhague durante as guerras Napoleônicas (1801 a 1814), foi forçado, pelas circunstâncias, a atribuir uma característica militar a seu programa. Embora não tenha estabelecido um novo sistema de ginástica na Dinamarca, organizou e sistematizou a prática da Educação Física de uma forma não observada, na época, em outros países. É, também, considerado o primeiro educador a mencionar a utilização de colchões como forma de segurança.

Século XIX:
Foram observadas preocupações metodológicas do ensino da Educação Física, principalmente, na primeira metade, em vários países europeus. Certamente que o crescimento e interesse pelos problemas da Educação Física, em 1800, deu-se com base em experiências pedagógicas dos enciclopedistas, dos filantropos, de Pestalozzi, Fröbel entre outros. O desenvolvimento das escolas públicas alemãs para as massas aconteceu no século XIX. As sociedades ginásticas intituladas Turnvereine, logo que se constituíram, não alteraram as práticas escolares nem introduziram a ginástica nas escolas, tinham, entretanto, a tendência de agir de forma suplementar ao trabalho escolar, em vez de nelas assegurar o espaço para a prática da Educação Física. A Educação Física, em particular a ginástica, passaram a ser introduzidas nas escolas públicas com caráter obrigatório. Entretanto, a imposição legal da obrigatoriedade freqüentemente não era atendida por falta de meios adequados para a sua prática e porque os objetivos pretendidos eram baseados em doutrinas com pouca fundamentação científica e orientação pedagógica, como também, metodologia inadequada. 1801 Nachtegall tornou o ensino da ginástica compulsório numa escola pública de ensino fundamental freqüentada por crianças de baixo poder aquisitivo, em 1801. Pode-se, então, observar que a Dinamarca, tornou-se o primeiro país a exigir o ensino da Educação Física nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, administrada diariamente fora do horário escolar com previsão para a utilização de aparelhos e espaço externo entre 96 a 144 metros quadrados para essa prática.

1804:
Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), suíço, educador por excelência e pedagogo influenciado por Rousseau, estabeleceu, no Castelo de Yverdon na cidade de Yverdon, nas cercanias do Lago NeuChâtel, Suíça, seu instituto de educação onde aplicou suas idéias educacionais. A Educação Física, ou melhor, a ginástica era considerada um meio de formação do espírito, sob o ponto de vista intelectual, e uma forma de desenvolvimento moral e estético, sob o ponto de vista da moral e da beleza. Observa-se, assim, a influência formativa do exercício físico, no desenvolvimento integral do indivíduo. Pestalozzi, também, considerava que o movimento era uma necessidade natural, indispensável à criança e a Educação Física, um meio de formação física e de desenvolvimento sensorial e estético essencial na educação e na saúde da juventude.

1807:
Foi aprovada uma legislação na Suécia que determinava que, em cada estabelecimento de ensino, de acordo com as suas possibilidades, deveriam ser disponibilizados locais para a prática da ginástica onde seriam praticadas atividades de saltar, trepar, fazer volteios, nadar entre outras, sob a supervisão de um mestre (professor). Nota-se que Pehr Henrik Ling (1776-1839), embora tenha tido a intenção de desenvolver a ginástica escolar através de sua ginástica pedagógica, somente teve essa idéia concretizada através de seu filho Hjälmar Frederick Ling.

1820:
Foi determinado na Suécia que não poderiam ser dispensados da prática da ginástica os jovens considerados inaptos para tais atividades, a não ser aqueles autorizados pela direção do estabelecimento.

1823:
A Round Hill School foi criada por Joseph Cogswell (1786- 1871) e George Bancroft (1800-1891), na cidade de Northampton, Massachusetts, Estados Unidos. A escola utilizava a instrução individual e primava pela preservação da saúde e melhoria dos aspectos moral e mental das crianças. Os fundadores da escola acreditavam que uma forma de se alcançar tais objetivos era através do estabelecimento de um programa de Educação Física, assim, foram, então incluídas aulas de dança, de equitação e de ginástica, esta última, ministrada por Charles Beck (1798-1866), discípulo de Jahn. A Round Hill School tornou-se pioneira na inclusão da atividade física como parte integral do currículo escolar nos Estados Unidos. Inicialmente, a prática da Educação Física nas escolas fundamentais era prerrogativa dos meninos, apenas. Em 1825, William Bentley Fowle (1795-1865) introduziu em sua escola de meninas, em Boston, Massachusetts, a utilização de aparelhos como barras e as roldanas para serem usadas nos horários de recreio.

1826:
Friedrich Fröbel (1782-1852), pedagogo alemão, fundador dos jardins da infância, discípulo e continuador das idéias de Pestalozzi, escreveu a obra Educação do Homem em que era salientada a importância da manutenção de um corpo vigoroso e ativo. Fröbel retorna à idéia de Platão e de Vittorino da Feltre, mas a ultrapassa ao afirmar que os exercícios corporais conduziam a criança a um conhecimento claro da estrutura interna de seu corpo, levando-a a sentir, com maior intensidade, as conexões mútuas internas da atividade de seus membros. Ao defender a idéia de se utilizar o jogo e os exercícios ginásticos com um sentido recreativo e de educação sensorial, acompanhados de música e de canto na educação pré-escolar, demonstrou a sua preocupação em relacionar a Educação Física, intelectual e moral da criança à formação de sua personalidade.

1857: o superintendente das escolas de Cicinnati, Ohio, Estados Unidos, propôs que todos os professores contratados deveriam aprender um sistema de ginástica adaptado a todas as séries do ensino fundamental.

1863: Foram alteradas de 4 para 6 horas de ginástica e de exercícios com armas, para as classes mais adiantadas e para as mais atrasadas, 3 horas apenas, na Suécia. Assim, mesmo com esses dispositivos legais, a ginástica pedagógica de Ling não conseguiu ser desenvolvida.

1864: O Instituto Central Real de Ginástica, fundado por Pehr Henrik Ling em 1814, foi reorganizado, assumindo o controle da ginástica escolar seu filho Hjälmar Frederick Ling (1820-1886). Ao desenvolver a ginástica escolar ou higiênica, este recebeu o título de pai da ginástica escolar sueca, disseminando a prática de tal atividade nas escolas suecas com o apoio de Ellin Falk (1872- 1942), Inspetora de Ginástica das Escolas Elementares de Estocolmo, criadora da ginástica moderna infantil adaptada às características psíquicas da criança e às suas necessidades lúdicas. Enquanto que no século XIX os sistemas ginásticos, centrados na saúde do corpo, na perfeição física e de movimentos e utilizados como forma de servir à nação estavam sendo transformados em programas de Educação Física na Alemanha e na Escandinávia, na Inglaterra, as escolas públicas estavam vivenciando uma outra forma de educação, através de jogos e esportes, cuja ênfase estava nos valores de honestidade, jogo limpo (fair play), espírito esportivo, esforço individual, iniciativa e coragem.

1866:
Foi inaugurada a Escola Normal da União de Ginástica Norte-Americana, que formava professores de ginástica de acordo com o movimento alemão de Jahn, com enfoque no treinamento físico. No curso, com duração de um ano, desenvolvido à noite, os alunos estudavam história e objetivos da Educação Física, anatomia, primeiros socorros, dança e ginástica combinada com métodos de ensino.

1874: August Hermann (1835-1906), professor de ginástica na escola de ensino médio – Ginásio Martino Katharineum – em Brunswick, Alemanha, após permanecer por algum tempo na Inglaterra, ficou tão convencido da importância do jogo como poder educativo que introduziu a prática do rugby nas escolas de meninos, sendo seguido pela implantação do baseball americano em 1875 e o críquete, em 1876.

1877: Na Suécia, com a visita do professor e capitão Lars Mauritz Törngren (1839-1912), diretor do Instituto Real Central de Ginástica de Estocolmo, às escolas públicas inglesas, foi escrito um livro sobre jogos escolares.

1880: Em Hartford, Cicinnati, Estados Unidos, nas duas escolas de meninas de Catharine Beecher (1800-1878), eram realizados exercícios semelhantes à ginástica sueca de Ling, quando começou a ser divulgada nos Estados Unidos. Outros planos e sistemas de Educação Física foram introduzidos nos Estados Unidos a partir da década de 1880, incluindo o sistema ginástico sueco cujo precursor foi Hartwig Nissen (1855-1924), que o introduziu em Washington, DC e, posteriormente, em Boston. Outro divulgador deste sistema foi Nils Posse (1862-1895) em Boston, Massachusetts que estabeleceu uma escola de formação de professores que muito contribuiu para a popularidade da ginástica sueca, no continente norte-americano. A Educação Física curricular no século XIX possuía, principalmente, natureza corretiva, com ênfase na prática de exercícios formais. Os sistemas de Educação Física utilizados nas escolas americanas eram os de origem européia e escandinava. Poucas eram as salas específicas para os exercícios físicos nas escolas públicas dos Estados Unidos. As aulas eram ministradas nas salas de aula regulares, reunindo um grande número de alunos num pequeno espaço, e os professores não estavam preparados pedagogicamente para ministrar atividades físicas. O sistema sueco de ginástica começa a ser mais aceito do que o sistema alemão, pois o primeiro não era praticado com aparelhos, era mais flexível no que se refere às condições de oferta do que a ginástica alemã.

1884: Pierre Fredi, Barão de Coubertin (1863-1937), ao visitar a Inglaterra, conheceu as doutrinas pedagógicas de Thomas Arnold e o deixou convencido da repercussão que o movimento desportivo poderia ter na educação da juventude e na melhoria do entendimento entre as classes sociais, os povos e as nações do mundo contemporâneo. Ao retornar à França, tentou utilizar a estrutura dos jogos como instrumento pedagógico para revitalizar a juventude francesa.

1892: Na convocação da Associação Americana para o Avanço da Educação Física-AAAPE, hoje conhecida como American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance (Aliança Americana para a Saúde, Educação Física, Recreação e Dança) – AAHPERD, Nils Posse, defensor do sistema ginástico sueco, face ao que foi intitulado de “batalha dos sistemas”, entre os defensores dos sistemas de ginástica sueco e alemão, sugeriu que os sistemas de ginástica estrangeiros fossem substituídos por um sistema nacional baseado nas necessidades do povo americano. Para esta idéia, contribuiu John Dewey (1859-1952) que sugeria mudanças no processo educacional, com enfoque na criança. A Educação Física nova propunha um ambiente no qual as crianças pudessem vivenciar experiências sociais e psicomotoras. Aqueles programas tradicionais que não utilizassem o jogo e a dança associados à atividades espontâneas, não mais atingiriam as necessidades de desenvolvimento das crianças. Assim, a Educação Física deveria se tornar o componente principal no currículo escolar. Estes foram os indícios de uma mudança de paradigma, isto é, da utilização de sistemas rígidos de Educação Física para uma Educação Física nova, mais centrada no desenvolvimento integral da criança.

1896: Observa-se a influência do movimento inglês na Dinamarca através de Wilhelm Bardenfleth, Ministro da Igreja e de assuntos Escolares quando enviou uma circular para todas as autoridades escolares, solicitando a inclusão dos jogos no programa de Educação Física das escolas públicas dinamarquesas. No ano seguinte, um orçamento, por um período de 3 anos, foi encaminhado ao Comitê Nacional para a promoção de jogos entre escolares dinamarqueses. Observa-se, então, que esta atitude estimulou o desenvolvimento de um novo enfoque à prática da ginástica nas aulas de Educação Física.

1908:
A Educação Física Escolar recebeu impulso na Suécia, por Elin Falk (1872-1942) quando ocupava o cargo de inspetora de Educação Física das Escolas Primárias de Estocolmo. Nota-se que Elin Falk criticava a ginástica escolar preconizada por Ling, na época, por sua rigidez de movimentos e de atitudes com conotação militarista, pelo conteúdo corretivo que limitava a liberdade de ação e o sentimento de liberdade da criança, pelo excesso de exercícios de ordem, pouco justificados e pelo excesso e falta de adequação nas vozes de comando. Ao observar crianças que jogavam entre si, fora da atividade escolar, notou que o faziam de forma alegre, com vivacidade e entusiasmo o que não era observado nas aulas de ginástica, então ministradas nas escolas. Para interferir neste processo, acrescentou nas aulas de Educação Física os jogos, as rodas, os exercícios em forma de jogo e as sessões historiadas. Ellin Falk é considerada a criadora da ginástica moderna infantil, essencialmente adaptada às características psíquicas da criança e às suas necessidades lúdicas, acreditava que a finalidade da ginástica era libertar o corpo e a alma para alcançar o indivíduo a sua totalidade.

1910-1930:
Período em que Josef Gottfrid Thulin (1875-1965) dominou a ginástica na Suécia. Ao tratar da Educação Física para crianças de 6 a 8 anos, dizia que a sessão deveria enfocar vários temas e os exercícios, deveriam ser ministrados em forma de jogo, com a finalidade de desenvolver as qualidades de observação, de criatividade, de vivacidade e de coragem da criança, como também, da confiança em si próprio. Pretendia, então, constituir um todo coerente em que as formas de exercícios e de jogos dariam expressão às ações de uma narração ou de um conto, também conhecido como sessão historiada de exercícios. Foi, também, o introdutor das sessões historiadas ou contos do movimento nas práticas infantis, assinalando a transição da concepção anátomo-fisiológica, característica principal do sistema de Pehr Henrik Ling, para o enfoque psicológico-social.

Década de 1920: Período em que Karl Gaulhofer (1885-1941) e Margarete Streicher (1891 -?) estabeleceram a filosofia da escola austríaca de ginástica. A ginástica escolar ou natural austríaca de Gaulhofer e de Streicher, contribuiu para o desenvolvimento da Educação Física Escolar. Influenciado por Jahn e Spiess e familiarizado com as obras de Guts Muths e Vieth, Gaulhofer desenvolveu seu próprio programa de Educação Física, incluindo uma variedade de atividades e respeitando a individualidade da criança. A ginástica escolar austríaca, contrapondo-se aos outros sistemas europeus que previam exercícios com movimentos criados artificialmente, considerava a Educação Física como educação do indivíduo e o corpo, seu ponto de aplicação. Os exercícios físicos tinham o objetivo principal de desenvolver os movimentos necessários para a vida cotidiana e para o trabalho físico aos quais as pessoas estavam engajadas. Assim, era postulado que a ginástica natural compreendia todos os meios de formação empregados dentro e fora da escola e que, ao se exercitar o corpo, seguindo princípios pedagógicos rígidos, tinha-se como objetivo educar o homem em sua totalidade.

1930-1945:
Período de amadurecimento dos estudos sobre o desenvolvimento motor, a partir da Inglaterra. A abordagem desenvolvimentista partiu de estudos feitos primeiramente por Arnold Gesell, em 1928, e Myrtle McGraw, em 1935, a partir da perspectiva maturacional que argumentava ser o desenvolvimento uma função de processos biológicos que resultavam na aquisição da habilidade motora infantil; Mary Shirley, em 1931, e Nancy Bailey, em 1935, cujos estudos estavam relacionados ao interesse pelo relacionamento da maturação e de processos de aprendizado com o desenvolvimento cognitivo. Monica Wild, em 1938, realizou a primeira investigação abordando os padrões motores desenvolvimentistas em crianças em idade escolar. Após a segunda grande guerra, as investigações se concentravam na descrição das capacidades de desempenho motor de crianças, liderados por Anna Espenschade, Ruth Glassow e G. Lawrence Rarick.

1933: Deu-se a implementação do programa Movimentando-se e Crescendo (“Moving and Growing”) e Planejando o Programa (“Planning the Programme”) em substituição ao Plano de Treinamento Físico para as Escolas primárias inglesas, pelo Departamento de Educação da Inglaterra, estendendo-se o movimento expressionista alemão, através de Rudolf von Laban (1879-1958), ao campo educacional. Nota-se a influência de Laban nessa nova proposta, através do estudo da arte do movimento que propunha a substituição do ritmo de classe imposto pelo professor e da posição ocupada pela ginástica na educação, pelo movimento e pelas atividades individuais. Assim, Laban defendia a idéia de que para as crianças realizarem movimentos adequados deviam passar pelas etapas da exploração, da experiência e da repetição, assegurando-se a elas, o desenvolvimento de formas pessoais de movimentos.

1945: É apresentado, em dezembro, por Maurice Baquet, diretor técnico do Instituto Nacional de Esportes da França-INS, após longa discussão entre técnicos e representantes de cada federação esportiva francesa, o projeto da Educação Esportiva que contribuiu para a introdução do esporte nas escolas de ensino fundamental, como também, nas de ensino médio. É atribuído ao Dr. Bellin de Coteau, a sistematização do método esportivo. A Educação Física Esportiva Generalizada surgiu como uma opção mais prazerosa do que o exercício físico feito por mera obrigação. Era, então, proposta uma atividade corporal voluntária a jovens franceses de ambos os sexos que não conheciam a satisfação do esforço físico, do domínio corporal e da exaltação de seu ser. Os vários métodos de Educação Física utilizados na França e em outros países europeus tornaram-se inoperantes, porque não levavam em consideração o fator psicológico, elemento preponderante. A expressão Educação Física conotava apenas o aspecto físico e não a melhoria ou manutenção da estrutura corporal. Ao desenvolver uma educação integral, a Educação Física Esportiva atuava simultaneamente sobre o corpo, o espírito, o caráter e sobre o senso social do indivíduo, através da utilização do desporto, isto é, da iniciação desportiva e do treinamento desportivo generalizado ou especializado. O esporte e a Educação Física, não eram um fim em si mesmos, mas um meio de formação e preparação para a vida. Assim, a iniciação esportiva generalizada proporcionaria à criança, a partir dos 6 anos de idade, uma iniciação à vida social e coletiva, através de jogos e competições esportivas; iniciação ao esforço progressivo, dosado em relação à idade e as possibilidades fisiológicas das crianças e iniciação técnica a qualquer esporte.

Década de 1960: Período em que a Educação Física Infantil se fundamentou nas questões da psicomotricidade, com enfoque reeducativo e após, terapêutico. A psicomotricidade, além de incorporar, inicialmente, o mesmo paradigma da Educação Física, através da ginástica, da dança, do jogo e do esporte, utilizou a primeira, através de diferentes grupos de exercícios, no diagnóstico de variáveis físico-motoras ou no tratamento re-educativo terapêutico de crianças. Observa-se, então, que a psicomotricidade, como também, a Educação Física são utilizadas no âmbito da Educação Física Escolar numa perspectiva educativa. A Educação Psicomotora, vertente da psicomotricidade, é a ação psicológica e pedagógica que utiliza os meios da Educação Física com o objetivo de normalizar ou melhorar o comportamento da criança. Assim, parte dos pressupostos re-educativo e terapêutico cuja finalidade é de normalizar o comportamento da criança, tomando como referência o diagnóstico através de provas de avaliação do perfil psicomotor, e do pedagógico, que busca a melhoria dos padrões motores de comportamento através de grupamentos de exercícios utilizados pela ginástica. Entre os defensores da Psicomotricidade encontram-se Picq e Vayer. Le Boulch defende a idéia de que a educação básica pelo movimento, associada aos jogos e as atividades esportivas, constituem um meio educativo primordial que deveria ocupar um lugar de destaque no ensino de crianças na faixa etária de 6 a 14 anos. Lapierre, Vayer, Aucouturier, Costalatt, entre outros, inicialmente adotaram uma postura re-educativa-terapêutica para, posteriormente, expandirem suas idéias para o aspecto educativo. Tais estudiosos fizeram uma inovação no âmbito do exercício físico, e por extensão, no da Educação Física Escolar, determinando novas variáveis de investigação e de diagnóstico relativos ao desenvolvimento de habilidades motoras das crianças.

Décadas de 1960 e de 1970: os estudos sobre a abordagem desenvolvimentista foram direcionados para a aquisição de padrões motores maduros fundamentais. Observou-se, então, um período normativo-descritivo nas investigações relativas ao desenvolvimento motor.
Décadas de 1980 e 1990 O enfoque das investigações concentrou- se na compreensão dos processos subjacentes envolvidos no desenvolvimento motor, ao invés de se centralizar no produto do desenvolvimento. Observa-se, então, a contribuição de Esther Thelen e de Jane Clark e colaboradores na formulação da teoria de sistemas dinâmicos de desenvolvimento motor.

1992: A abordagem ecológica do desenvolvimento humano, de Urie Bronfenbrenner surgida, como teoria, a partir de 1992, com a publicação de sua Teoria dos Sistemas Ecológicos, considera de forma equilibrada, a questão pessoa-contexto. Ao caracterizar o ser humano em desenvolvimento, como alguém ativo em seu meio, inter-relacionando-se com outras pessoas direta ou indiretamente, amplia a visão de homem e de mundo, ao considerar as dinâmicas que se estabelecem entre as pessoas e seus contextos e as transformações daí advindas.

1999:
A Agenda de Berlim vem a público depois de uma reunião internacional com mais de 500 representantes de 60 países, convocada pelo International Council of Sport Science and Physical Education-ICSSPE. Este documento listou os problemas comuns diagnosticados em mais de 50 países quanto à prática da Educação Física (pesquisa sob responsabilidade de Ken Hardman da Universidade de Manchester, Inglaterra). De um modo geral foi constatado um estado de retrocesso da Educação Física Escolar em escala mundial, em grande parte devido à impossibilidade da escola e dos órgãos dirigentes da educação manterem adequadamente as atividades físicas e jogos nos currículos, já saturados por demandas de novos conhecimentos. Foi aventada ainda a possibilidade da extinção da Educação Física nas escolas, pela extensão do problema tanto nos países ricos como pobres. A Agenda – nome derivado do fato de ter sido feito um elenco de recomendações a serem implementadas pelos países signatários – foi então orientada no sentido de redefinir a Educação Física na área de saúde mais sensível e envolvida com os benefícios das atividades físicas em qualquer país (vide texto da Agenda de Berlim, em destaque neste capítulo). Logo se seguindo à emissão da Agenda, realizou-se a Terceira Conferência Internacional de Ministros e Representantes Oficiais responsáveis pela Educação Física e Esporte-MINEPS III, em Punta Del Este – Uruguai de 30 de Novembro a 3 de Dezembro de 1999, quando se referendou as recomendações de Berlim e tendo o Brasil como um de seus signatários (vide textos da Agenda de Berlim e da MIMEPS III em destaque, neste capítulo).

Marcos Nacionais de Memória Século XIX

No Brasil, desde o início deste século houve manifestações relacionadas à Educação Física. Na origem, os primeiros vínculos se referiram às instituições militares e à classe média, sendo conduzidos para caminhos higienistas, que visavam à melhoria da condição de saúde e de higiene da população brasileira. Favorecendo a educação do corpo, objetivava a constituição de um físico saudável e equilibrado organicamente, menos suscetível às doenças. Associado a essas idéias, observava-se nos meios políticos e intelectuais, uma preocupação com a eugenia já que o contingente de escravos negros era relativamente grande e poderia gerar, segundo aquela concepção, uma desqualificação da raça branca. A Educação Física, neste contexto, juntamente com a educação sexual, sensibilizaram os brasileiros para manterem a “pureza” e a “qualidade” da raça branca. Apesar dos pressupostos higiênicos, eugênicos e físicos da Educação Física serem defendidos, a prática das atividades físicas era um tanto prejudicada, pois havia, no período, uma associação do trabalho físico ao trabalho escravo. Essa relação gerava na sociedade uma discriminação no que tange à prática das atividades físicas que, de certa forma, dificultou a sua obrigatoriedade nas escolas.

1834: Primeiro aluno brasileiro é matriculado no Philanthropinum de Schnepfentahl, na Alemanha, escola modelo de Educação Física na Europa, e que foi seguido por mais três dezenas nos anos seguintes, vindos de varias regiões do Brasil.

1837:
Antonio Ferreira França possibilitou, em cada escola paroquial de primeiras letras do Município do Rio de Janeiro – então capital do país –, o ensino da ginástica e defesa do corpo, natação, equitação e dança.

1851: É registrado, através do Decreto No. 630, de 17 de setembro, a reforma dos ensinos primário e secundário do Município da Corte no qual nada consta sobre a obrigatoriedade do ensino da Educação Física (ginástica) nas escolas.

1854:
O deputado e Ministro do Império, Luiz Pedreira do Couto Ferraz aprova o “Regulamento da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte” que incluía no ensino fundamental (primário, na época) das escolas públicas, a ginástica.

1855: Em 17 de fevereiro, é aprovado o regulamento do Colégio D. Pedro II (colégio modelo do país) que previa o ensino da dança e de exercícios ginásticos, durante as horas de recreação dos alunos.

1876:
O regulamento do Colégio D. Pedro II foi alterado, através do Decreto No.6.130, de primeiro de março, pelo qual o ensino da ginástica continuava obrigatória aos alunos. Ficava, entretanto, ao critério dos diretores (reitores, na época) a dispensa dos alunos que estivessem impossibilitados de praticá-la. Os alunos que se distinguissem nas aulas de ginástica, receberiam uma menção nas notas de aprovação relacionadas a cada ano escolar.

1877:
O Decreto No. 6.479, de 18 de janeiro, aprovou o regulamento para as escolas públicas de instrução primária no Município da Corte que dividia as escolas de instrução primária em duas classes: as que pertenciam à instrução primária elementar com denominação de 1o. grau e as complementares, chamadas de 2o. grau. O ensino da ginástica era previsto nas escolas primárias de 1o. grau. Salienta-se que o ensino da ginástica não era obrigatório a não ser três anos após a promulgação do regulamento em questão, para que os professores pudessem se habilitar no ensino dessa disciplina.

1879: Contribuição de Rui Barbosa através de seu parecer, em nome da Comissão de Instrução Pública, sobre a reforma decretada pelo ministro Leôncio de Carvalho. O parecer, emitido em setembro de 1882, previa a ginástica para os meninos nos dois primeiros anos da escola primária elementar e calistenia, para as meninas. Nos dois anos de estudos seguintes, chamados de escola primária média, seria observado a mesma prática do período anterior. Na escola primária superior, isto é, nos quatro anos que se seguiam, seriam oferecidos: a ginástica e os exercícios militares para meninos e calistenia para meninas.

1882: Em 9 de janeiro é aprovado o programa de ensino que deveria ser observado, provisoriamente, nas escolas públicas de instrução primária do Município da Corte em que a ginástica, através de exercícios de corpo livre, constituía-se em matéria facultativa a ser ministrada no intervalo das aulas , isto é, das 11:30 ás 13:30. Apresentação do parecer sobre a Reforma do Ensino Primário, na sessão de 12 de setembro de 1882 da Câmara dos Deputados. Rui Barbosa, além de defender a inclusão da ginástica nas escolas, equiparou os professores de ginástica aos das outras disciplinas, destacando a necessidade de se ter um corpo saudável para sustentar as atividades intelectuais. Seu parecer sobre a Reforma do Ensino Primário, repercutiu, também, em outros estados brasileiros, além do Município da Corte. Observa-se, no Amazonas e no Pará, medidas que davam uma posição de destaque à Educação Física. Apesar de ter sido aprovado seu projeto na Câmara dos Deputados, jamais foi posto em execução.

1883: O regimento interno para as escolas públicas primárias do Município da Corte é aprovado em 6 de novembro e previa a prática de exercícios de ginástica durante as pausas existentes entre as aulas, de meia hora cada. O ensino da ginástica compreendia exercícios de corpo livre, consistindo de flexões, extensões, passos, marchas, carreiras e saltos.

1885: A prática da ginástica nas escolas públicas de instrução primária é declarada obrigatória, em 23 de novembro, através da Decisão Imperial No. 71. Assim, a ginástica se tornaria obrigatória no currículo das escolas primárias.

Século XX: No início desse século, a Educação Física, sob o título de ginástica, foi incluída nos currículos escolares da Bahia, do Ceará, do Distrito Federal, de Minas Gerais, de Pernambuco e de São Paulo. Nesse período, a educação brasileira estava sendo influenciada pelo movimento que discutia a reconstrução educacional do Brasil, através de uma nova educação voltada para o desenvolvimento integral do indivíduo. A Educação Física, como meio para se alcançar o objetivo almejado, seria um dos agentes de importância no processo. Nesse período, a Educação Física seguia os moldes europeus – o alemão, o sueco e o francês – baseados em princípios biológicos e que estavam inseridos num movimento mais amplo, de natureza política, cultural, e científica denominado de Movimento Ginástico Europeu. Assim, no período de 1889 a 1920, enquanto o método alemão era utilizado nos estabelecimentos militares, nas escolas civis brasileiras predominava o método sueco. O método alemão foi oficialmente substituído no Brasil em 27 de abril de 1921, pelo decreto n.º 14.784, emitido pelo, então, Ministério da Guerra que oficializou o método de Géorges Hébert, adaptado às teorias da Escola Militar Francesa de Joinville-le-Pont.

1905:
O deputado pelo Estado do Amazonas, Jorge de Morais, defendeu a inclusão da Educação Física no ensino fundamental podendo ser continuado tal empreendimento, no ensino secundário.

1929: Um ante-projeto de lei foi submetido pelo Ministro da Guerra General Nestor Sezefredo dos Passos, à Comissão de Educação Física. A Educação Física, ministrada dentro dos moldes do Método Francês sob o título de Regulamento Geral da Educação Física, seria obrigatória em todos os estabelecimentos de ensino brasileiros, a partir dos seis anos para meninos e meninas. Apesar das intenções de implementar a prática da Educação Física nas escolas, observava-se uma ausência de professores que pudessem administrá-la de forma competente porque não existia, anterior a 1929, uma instituição superior que formasse professores de Educação Física para atuar nas escolas de Ensino Fundamental. Criação do Curso Provisório de Educação Física, na escola de Sargentos de Infantaria, que diplomou 22 professores públicos primários (ensino fundamental) encaminhados pelo então, Diretor da Instituição Pública do Distrito Federal (Rio de Janeiro-RJ), Prof. Fernando de Azevedo, além dos 60 sargentos instrutores, 8 oficiais e 2 médicos militares.

Década de 1930: Com a expansão das ideologias fascistas, a idéia da eugenia da raça associada à Educação Física voltou a ser enfatizada. O Exército Brasileiro passou a se constituir na principal instituição de estruturação de um movimento em prol de uma Educação Física que mesclasse objetivos patrióticos e de preparação pré-militar. Nota-se, entretanto, que o discurso eugênico cedeu seu espaço aos objetivos higiênicos e de prevenção de doenças, possíveis de serem trabalhados no contexto escolar. Como pode ser observada na Constituição outorgada por Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, a Educação Física passou a ser obrigatória em todas as escolas de ensino fundamental, médio, como também, nos cursos de magistério em nível médio.

1930-1941: Para dar uma maior amplitude ao ensino da Educação Física, o General Nestor Sezefredo dos Passos, Ministro da Guerra, sensibilizado pelo comentário do Presidente da República, Washington Luis, de que a Educação Física merecia ser melhor considerada e era um problema de máxima relevância para a nação, determinou a reabertura do Centro Militar de Educação Física em 11 de janeiro, o qual havia sido fechado em 1922. Embora destinado a formar instrutores e monitores, além de difundir, unificar e intensificar o ensino da Educação Física no Exército, o Centro Militar de Educação Física, que em 19 de outubro de 1933 se transformou na Escola de Educação Física do Exército, estava aberto, também, aos oficiais e sargentos das forças auxiliares, professores federais, estaduais ou municipais e civis. Nota-se, então, uma ação mais efetiva na formação profissional, no âmbito civil em Educação Física, no mesmo período, sobretudo a partir da criação da Escolas de Educação Física de São Paulo e Espírito Santo, e principalmente, a partir de 1939, através do Decreto Lei Nº 1.212, de 17 de abril de 1939, que criou a Escola Nacional de Educação Física e Desportos-ESEF na Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Escola Nacional da Educação Física teve a incumbência de oferecer o curso superior de Educação Física (2 anos de duração), curso normal de Educação Física (1 ano), curso de técnica desportiva (1 ano), curso de treinamento e massagem (1 ano) e curso de medicina da Educação Física e dos Desportos (1 ano). Assim, a partir de 1941, o exercício da função de professor de Educação Física, nos estabelecimentos oficiais de ensino fundamental das capitais dos estados brasileiros e nas cidades com população superior a 50.000 habitantes, seria prerrogativa de professor normalista especializado em Educação Física.

1931: O Ministério dos Negócios da Educação Pública, criado no governo de Getúlio Vargas em 14 de novembro, aprovou o Decreto n.º 19.890, de 18 de abril de 1931, que previa a obrigatoriedade da Educação Física nos estabelecimentos de ensino médio (secundário, na época) voltado para o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito, concorrendo, desta forma, para formar um indivíduo de ação, física e moralmente sadio, alegre e resoluto, consciente de seu valor e de suas responsabilidades.

1937: A Constituição de 1937 tornou-se a primeira referência sobre a Educação Física feita em textos constitucionais federais sendo incluída no currículo, como prática educativa obrigatória e não como disciplina curricular, juntamente com o ensino cívico e os trabalhos manuais, em todas as escolas brasileiras. Segundo o art. 132 dessa mesma Carta, havia uma previsão de serem organizados para a juventude períodos de trabalhos anuais nos campos e nas oficinas e desenvolvida a disciplina moral e o adestramento físico, de maneira a prepará-la para o cumprimento de seus deveres para com a economia e a defesa da Nação. Em 24 de dezembro de 1937, o Estado da Bahia criou a Inspetoria de Educação Física, Recreação e Jogos Escolares que tinha como finalidade difundir, regulamentar e controlar a Educação Física nas escolas de ensino, fundamental e normal em nível médio; elaborar e reunir dados biométricos necessários à dedução de médias e extremos de normalidade dos escolares baianos, para que pudesse ser agrupado, de forma homogênea inicial e de verificação final, o aproveitamento dos mesmos; organizar festas e torneios desportivos escolares, como forma de incentivo, entre as escolas, no desenvolvimento de jogos, de exercícios ginásticos e de educação desportiva. O Estado da Bahia, com essa iniciativa, e, de acordo com a Constituição de 1937, proporcionou um tratamento que tinha como objetivo revigorar a prática da Educação Física escolar no território brasileiro.

1939: Com o Decreto Lei Nº 1.212/39, deram início Cursos de Educação Física nos estados do Espírito Santo, de São Paulo, de Minas Gerais, de Pernambuco, do Pará, da Bahia, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, todos seguindo os padrões da Escola de Educação Física do Exército que, conseqüentemente, estava fundamentada nas diretrizes emanadas pela Escola francesa de Joinville-Le-Pont. A idéia do desenvolvimento da aptidão física nos cursos formadores profissionais de Educação Física do Brasil, já que seus conteúdos e programas estavam vinculados às Ciências Biológicas, não era observado na Escola de Educação Física do Exército, pois, primeiramente era considerado necessário o suporte da Educação Física regular para depois se desenvolver a aptidão física e o rendimento desportivo. Considerando-se o estabelecimento de instituições de ensino superior formadoras de profissionais de Educação Física, o contingente de professores habilitados na área começou a ser disponibilizado no mercado de trabalho que se consolidou, principalmente a partir de 1937 (Estado Novo), através do processo de escolarização da Educação Física, com forte ênfase no método francês originado na Escola de Joinville-Le-Pont.

1945:
No período de 1945 a 1961, com a promulgação da Lei Nº 4024, de 20 de dezembro de 1961 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – L.D.B.), houve um amplo debate a respeito do sistema educacional brasileiro. Na discussão do projeto de lei que resultou na LDB de 1961 não se verificava menção sequer à Educação Física, o que causou um grande impacto, entre os idealistas, os técnicos e os educadores especializados da área, que se esforçavam em introduzir essa prática educativa no sistema educacional brasileiro. Com a intervenção do diretor da Divisão de Educação Física, do Ministério da Educação e Saúde, Prof. Antônio Pires de Castro Filho, a Educação Física foi agregada à lei e se constituiu na única prática educativa a receber um tratamento especial. O art. 22 da LDB obrigava a sua prática nos cursos primários (ensino fundamental) e médio, até os 18 anos de idade, as demais disciplinas seriam regulamentadas no currículo escolar, por decisão dos Conselhos Federais e Estaduais de Educação.

1946: O Governo Federal aprovou o Decreto No. 8529, de 2 de janeiro, que tratava da Lei Orgânica do Ensino Primário, primeiro passo para a centralização da educação e, conseqüentemente, da Educação Física no Brasil, que dividia a educação primária em curso elementar, primeiros quatro anos de escolarização e curso complementar, um ano após o curso elementar. Tal Lei mencionava que a Educação Física deveria ser incluída no currículo de ambos os cursos, em cada série escolar. O Decreto No. 8530, de 2 de janeiro, lançou as bases para a nova estrutura centralizada no ensino normal do Brasil. A Lei Orgânica do Ensino Normal subdividiu o ensino normal em curso de 1o. e 2o. ciclos: o primeiro, efetuado nas escolas normais regionais e formava regentes de ensino primário e o segundo, realizado nas escolas normais e graduava professores primários. A Educação Física constava da lista de disciplinas que deveriam ser oferecidas aos alunos do curso normal, através de atividades recreativas e jogos.

1948:
O anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi encaminhado à Câmara de deputados, em novembro, resultado na Lei No. 4024 aprovada em 1961 que tornava a Educação Física obrigatória nas escolas de ensino fundamental e médio, até a idade de 18 anos.


Lembre-se, este site também é seu! Divulgando esta história, você trará mais visitas ao site e nos dará força para manter o mesmo sempre atualizado.

About Diamond