História do Trampolim, Ginástica

A modalidade TRA possui 4 provas: Trampolim Individual, Trampolim Sincronizado, Duplo Mini-Trampolim e Tumbling, com as competições divididas por sexo. No Trampolim Individual os ginastas executam as suas séries, com 10 elementos técnicos aéreos, sobre o Trampolim. Na prova de Trampolim Sincronizado dois ginastas do mesmo sexo executam as suas séries simultaneamente, em máxima sincronia entre si, em dois Trampolins do mesmo tipo daquele utilizado na prova individual. Na prova de Duplo Mini-Trampolim, o ginasta executa uma corrida preparatória no solo, para a impulsão na primeira parte do aparelho, em seguida realizando um elemento técnico aéreo, para então se apoiar de pé e impulsionar na segunda parte do aparelho e daí executar um segundo elemento técnico aéreo, sem interrupção entre eles, finalizando num colchão. No Tumbling as séries são compostas por 8 exercícios acrobáticos, executados progressiva e ininterruptamente em linha reta, sobre uma pista elástica própria. As normas para a determinação das notas dos ginastas, assim como as orientações para os árbitros nas provas do TRA, são definidas no Código de Pontuação da Federação Internacional de Ginástica-FIG. Em termos de denominações alternativas do TRA, geralmente citam-se: Ginástica de Trampolim, Trampolim Acrobático e Cama Elástica.

O Trampolim foi o primeiro aparelho das provas do TRA praticado no Brasil, tendo este surgido através das atividades de circo. Na década de 1950/1960 a prática do Trampolim foi desenvolvida como atividade de treinamento militar pela Brigada de Pára-quedistas do Exército e pela Escola de Cadetes da Aeronáutica, ambas localizadas no RJ. O surgimento do TRA como modalidade esportiva no Brasil teve a participação significativa do professor Dr. Hartmut Riehle, alemão que em 1974 veio ao Brasil para ministrar cursos de Ginástica Artística no RJ e SP. A sua experiência no Trampolim, como campeão mundial em 1967, promoveu uma grande motivação pela modalidade, levando José Martins Oliveira Filho, professor de Educação Física de São Paulo, a se inscrever no curso de especialização da Universidade de Colônia – Alemanha. Em sua volta ao Brasil, José Martins ministrou aulas de Trampolim na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo-USP. Neste período o Trampolim, em SP, esteve agregado à Federação Paulista de Ginástica-FPG, não sendo desenvolvido em outra parte do país. A partir de 1976 os clubes brasileiros de Ginástica Artística passaram a utilizar o Trampolim na preparação acrobática de seus ginastas.

1976: Inicia-se a prática competitiva do TRA quando da realização do primeiro campeonato de Mini-Trampolim, no Clube Ginástico Desportivo do Rio de Janeiro-CGDRJ, sob a direção de Sérgio Bastos, professor, ex-ginasta de Ginástica Artística. O evento contou com a participação de 123 ginastas.

1984: O evento a ser considerado como o marco para o surgimento da modalidade esportiva TRA no Brasil, foi o Torneio Inter-cidades do Estado de São Paulo, realizado no Ginásio do Ibirapuera, onde competiram 28 ginastas das cidades de São Paulo, Sorocaba e Guarulhos.

1986: Realiza-se o primeiro campeonato inter-estadual de Trampolim do Brasil na 5ª Copa Vasco da Gama de Ginástica, com a participação da Equipe da Academia FIT (SP) e do C. R. Vasco da Gama (RJ).

Décadas de 1950 – 1980: Desde o aparecimento no país, as atividades acrobáticas em trampolins serviram principalmente para a diversão. Com a adoção do Trampolim no treinamento das Forças Armadas, aconteceu uma maior difusão da atividade, já que, além das tarefas militares, também eram realizadas apresentações públicas. Com a incorporação do Trampolim ao treinamento da Ginástica Artística, cada vez mais o valor desta atividade se apresentava, até que alguns ex-praticantes da GA assumiram o compromisso de desenvolver a modalidade TRA. A partir de então, face ao aperfeiçoamento técnico dos professores, à realização das primeiras competições e à aquisição de aparelhos apropriados, o TRA passou a ser desenvolvido como modalidade autônoma.

1989: Em março, sob a orientação de José Martins, foi criada a primeira federação de TRA do Brasil, a Federação Paulista de Trampolim-FPT, entretanto esta entidade não foi oficializada. Em julho, um grupo de professores e atletas brasileiros de SP e RJ, liderados por José Martins, participaram de um Curso Técnico de Trampolim, na Universidade de Konztanz – Alemanha. Em dezembro, professores e dirigentes de várias entidades fundaram a Federação de Trampolim e Ginástica Acrobática do Estado do Rio de Janeiro- RIOTRAMP, sendo Sérgio Bastos eleito Presidente, tornando-se esta a primeira federação de TRA oficializada no Brasil.

1990: Neste ano, a seleção alemã de TRA fez uma turnê pelas cidades de Recife-PE, Belo Horizonte-MG, Rio de Janeiro-RJ e São Paulo-SP, onde foram realizados cursos e demonstrações. Em Setembro, na cidade de Mogi Mirim-SP, foi realizado o I Campeonato Brasileiro de TRA, sagrando-se campeã a RIOTRAMP, representada pelo Colégio Militar do RJ. Durante este evento foi fundada a Associação Brasileira de Trampolim Acrobático- ABRATA, sendo eleito José Martins como Presidente. Neste mesmo ano, a ABRATA filiou-se à Federação Internacional de Trampolim-FIT, assim oficializando internacionalmente o TRA do Brasil. Em Outubro, o Brasil participou pela primeira vez do Campeonato do Mundo de Trampolim, representado pelo ginasta Christiano Andrade, orientado por José. Martins.

1991: Realiza-se o I Campeonato Panamericano de Trampolim, na cidade de Bauru-SP, com a participação das equipes do Brasil, EUA e Argentina. 1993 Em junho foi realizada a I Copa Latina de Trampolim, em Rio Claro-SP, com a participação de equipes da Itália, de Portugal e das Seleções das Federações do RJ e SP. Nos meses de junho e julho, Rui Vinagre e Luis Santos (Portugal), com a colaboração dos ginastas campeões mundiais de Duplo Mini-Trampolim, Jorge Pereira e Jorge Moreira (Portugal), ministraram cursos técnicos nas cidades de SP e RJ.

1994: Durante três meses, o francês Hubert Barthod, acompanhado do ginasta 4º colocado no Campeonato Mundial, Jean- Pierre Thor, permaneceu no RJ preparando os ginastas cariocas para o Campeonato Mundial. Em outubro, aconteceu o 18º Campeonato Mundial de Trampolim, realizado na Cidade do Porto – Portugal. Pela primeira vez o Brasil participa com equipes completas, representado por 21 ginastas (16/RJ, 2/SP, 2/MS e 1/ MG). Ainda em outubro, foram realizados os 11º Jogos Mundiais de Trampolim por Idade, em Vila do Conde (Portugal), com destaque para a seleção brasileira, que compareceu com a maior delegação do evento, composta por 80 ginastas (56/RJ, 18/SP, 4/MG e 2/MS) e 25 treinadores. Pela primeira vez o Brasil obteve resultados no nível internacional, com os vice-campeonatos dos ginastas Rodolfo Rangel (RJ), na prova de Trampolim e Rafael Costa Leite (RJ), na prova de Duplo Mini-Trampolim.

1995: Realiza-se, em SP, o 1º Curso Internacional de Arbitragem da FIT, onde foram formados os primeiros árbitros internacionais brasileiros. Em Guarulhos-SP, foi fundada a Confederação Brasileira de Trampolim e Esportes Acrobáticos-CBTEA, sendo aclamado seu Presidente, José Martins de SP. A partir desta data a CBTEA passou gerir o TRA nacionalmente, substituindo a ABRATA na representação do Brasil junto à FIT. Neste ano 8 estados praticavam oficialmente o Trampolim: RJ,SP, MS, MT, GO, PE, ES e MG.

1996: O técnico russo Vladimir Piliptchenko passou 45 dias no RJ treinando os ginastas do Colégio Militar do RJ e ministrando cursos para os técnicos brasileiros. O Brasil, através do ginasta Rodrigo Rodrigues (RJ), conquistou o 3º Lugar na prova de Duplo Mini- Trampolim, na Categoria acima de 17 anos, nos 12º Jogos Mundiais de Trampolim por Idade, realizados em Kamloops (Canadá).

Interpretação do Desenvolvimento – Décadas de 1981 – 1996: O ano de 1989 pode ser considerado o “divisor de águas” do trampolinismo no Brasil. A partir de então o TRA passou a ser desenvolvido como modalidade esportiva de competição. O empenho de muitos aficionados, com destaque para os professores José Martins (SP) e Sérgio Bastos (RJ), transformaram o TRA numa modalidade bastante praticada no país, inclusive com resultados em competições internacionais. Este desenvolvimento aconteceu graças à realização de cursos de atualização ministrados por pessoas conceituadas internacionalmente, assim como a participação regular das equipes nos principais eventos internacionais da modalidade.

1997: Os ginastas Rodrigo Rodrigues (Trampolim) e Marina Trindade (Tumbling), foram indicados pela FIT para participarem do 5th World Games, na cidade de Lahti (Finlândia). Em abril, foi realizado o II Curso Internacional de Arbitragem e o Curso Nacional de Arbitragem, ministrado por instrutores indicados pela FIT. No mesmo período aconteceu um Curso Técnico de Trampolim com treinadores russos, do qual participaram 89 professores de todo o Brasil. Em setembro, foi realizado o Indo-Pacific Championships, em Durban (África do Sul), sendo a participação brasileira significativa, tanto no número de ginastas (61), quanto no número de medalhas obtidas (15), sendo 4 de ouro.

1998: O Brasil participa da Peter Cup, em San Petersburgo – URSS tendo o ginasta Rodolfo Rangel conquistado o 1º lugar na prova de Duplo Mini-Trampolim. Em outubro, no Campeonato Mundial de Sidney – Austrália, o Brasil, pela primeira vez obteve um título mundial, através do ginasta Rodolfo Rangel, na prova de Duplo Mini-Trampolim. Em dezembro, devido a integração da FIT à FIG e com a conseqüente vinculação do TRA à CBG, aconteceu a dissolução da CBTEA.

1999: Foi oficializada a inclusão do TRA na CBG, passando a ser a entidade responsável pelas modalidades do TRA no Brasil.

Interpretação do Desenvolvimento – Décadas de 1997- 1999: Em 1998 o TRA atingiu a sua fase áurea, uma vez que o investimento em cursos e participações internacionais de ginastas e técnicos fomentou um aprimoramento substancial, considerando a performance e a quantidade efetiva de participantes. Em 1999 o TRA sofreu um impacto negativo muito grande, a partir da absorção da modalidade pela CBG. Esta situação deveu-se a vários motivos, com destaque à condução equivocada da modalidade por parte da CBG, que não deu continuidade ao trabalho desenvolvido até então.

Situação Atual: Atualmente a CBG está tentando redirecionar o TRA, revendo os conceitos até então adotados. Em 2002, esta confederação convidou Sérgio Bastos para presidir o Comissão Técnica de TRA a fim de promover o retorno das instituições às competições da CBG, assim como ocorreu com a restauração do TRA nas federações estaduais.


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