História do Beisebol

O Beisebol é uma modalidade de esporte na qual duas equipes, cada uma composta por nove jogadores, atacam e defendem posições, na tentativa de alcançar o maior número de pontos. O jogo é organizado e acompanhado por técnicos e dirigentes, geralmente 4 árbitros e as jogadas são divididas em innings (rodadas), que variam conforme a categoria do jogador estabelecida previamente. Os principais equipamentos utilizados são: luva, bastão (bat), bola, base e vários equipamentos de segurança. As regras que norteiam o beisebol são repletas de sutilezas, o que torna a prática desse esporte extremamente apaixonante. Durante a partida, as equipes se revezam, alternadamente, seja na posição de ataque ou de defesa e é considerada vencedora aquela equipe que alcançar maior número de pontos por inning. A rodada – ou inning – corresponde a um movimento de ataque e defesa de uma equipe. O ponto é consignado quando, na situação de ataque, um dos jogadores da equipe consegue completar uma volta no quadrado partindo da base principal, e passando sucessivamente pela 1a, 2a, 3a bases, chegar de volta à base principal. Além do beisebol, existe o softbol, esporte similar, porém com pequenas variações tais como o tamanho da bola, as dimensões do campo e as regras do jogo. O softbol é uma modalidade de esporte praticada principalmente pelas mulheres no Brasil.

Origem:
Ao que tudo indica, o beisebol – palavra de origem inglesa “baseball” – é um esporte proveniente da Inglaterra, provavelmente uma evolução do “rouders” ou “cricket” praticado no século XVIII. O beisebol atual, entretanto, parece ter sido concebido pelo norteamericano Abner Doubley, por volta de 1839. O esporte é muito difundido nos EUA, na América Central e, mais recentemente, na Itália, França, Bélgica, Holanda e Rússia. Chegou ao Japão na era do Imperador Meiji, em 1873, com a abertura às transações comerciais com o exterior através de convênios universitários. O esporte tem, desde então, sido difundido para a China, Formosa, Coréia e outros países asiáticos.

As raízes do beisebol no Brasil remontam aos imigrantes japoneses e sua historia já conta com nove décadas. Há, contudo, raízes menores vinda de cidadãos norte-americanos que se transferiram para o estado de São Paulo na segunda metade do século XIX. Em tempos presentes continua sendo praticado com maior preferência por descendentes de japoneses, embora seja já perceptível a participação significativa de outras etnias. Mesmo assim, o esporte ainda é identificado no país como esporte de japoneses. Contribui para esta percepção de natureza cultural, a concentração do esporte nos estados de São Paulo e Paraná, exatamente nas regiões de alta densidade de população de origem nipônica. Importa relevar que no Brasil se situa a segunda população de etnia japonesa do mundo depois do próprio Japão, isto é, dois milhões de nativos daquele país e seus descendentes.

1913-1914: Há registros desta época em que os jogos das equipes de baseball do Mackenzie College de São Paulo – SP arrastavam mais público do que as disputas de football do mesmo Mackenzie. Neste particular pode-se confirmar que o beisebol no Brasil deriva de dupla influência: norte-americana e japonesa, com a primeira se diluindo pela falta de continuidade e a segunda se fixando por ter sido adotada por descendentes. Importa dar destaque ao fato de que o Mackenzie na tradição esportiva brasileira constituiu entidade líder no desenvolvimento de vários esportes vindos da cultura anglo-saxônica.

1916: Neste ano surgiu a primeira equipe de beisebol da colônia japonesa formalmente estabelecida, em São Paulo – SP, no campo do clube Sudan.

1926-1941: Neste período houve aumento da imigração japonesa no Brasil registrando-se cerca de 150 mil novos imigrantes. O berço e esteio da prática do beisebol nas colônias de imigrantes japoneses se efetivaram no caminho traçado pelas estradas de ferro, rasgando as matas do estado de São Paulo na rota do café. Nasceram, dessa forma, as ligas de beisebol da “Noroeste”, “Paulista” e “Sorocabana” – nomes das ferrovias que ligavam as colônias ao resto do mundo. Na mesma época, os imigrantes do norte do Paraná chegavam, também, à região de Cambará – PR. Tem-se, também, o registro de times de beisebol no ano de 1933, em Bandeirantes – SP, Cornélio Procópio – PR (colônia central) e Londrina – PR.

1946: O período é marcado pela fundação da Federação Paulista de Beisebol e Softbol – FPBS, que começou a organizar competições oficiais no Brasil, inclusive com a incorporação de equipes de outros estados, principalmente do Paraná.

1948: Com vistas a dirigir as atividades esportivas da região, foi fundada a Liga Desportiva Norte Paranaense, enquanto que no sul do estado era fundada a Associação Esportiva Nipo-Brasileira que, mais tarde, passou a se denominar Associação Curitibana de Beisebol e Softbol.

1950 – 1980: Este período foi marcante para o beisebol no Brasil pela surgimento de equipes em vários estados do país, que atraíram a presença maciça de público nos eventos promovidos pelas entidades esportivas. No ano de 1950, em Campo Grande – MS, foram constituídas equipes de beisebol. Em 1954, foi realizado o primeiro campeonato oficial de Curitiba. Em 1958, em São Paulo – SP, com a presença da equipe universitária de Waseda e do príncipe Mikasa e sua esposa, vindos do Japão, era inaugurado o moderno estádio de beisebol do Bom Retiro, em comemoração aos 50 anos de imigração japonesa ao Brasil. Em 1965, foi fundada a Federação Paranaense de Beisebol e Softbol. Nessa mesma época, surgiram vários estádios de beisebol no Brasil. Em Curitiba, por exemplo, o Estádio Municipal de Beisebol foi inaugurado em 1978.

1985 – 2003: A ida de brasileiros descendentes japoneses para trabalhar no Japão – os chamados “decassegui” – coincide com dificuldades da economia do Brasil, o que redundou na extinção de atividades relacionadas ao beisebol nas cidades de menor porte. Mantiveram-se em funcionamento, no entanto, as equipes e clubes de maior comprometimento financeiro. A vinda de técnicos cubanos, somada à fundação da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol – CBBS, em 1990, reaquece as atividades desta modalidade que passa a competir, também, no nível internacional. Vários intercâmbios são estabelecidos com diversos países de forma que a participação dos esportistas do beisebol, nos eventos internacionais, torna-se mais ativa. O primeiro presidente da CBBS – ainda hoje mantido no cargo – foi Jorge Otsuka.

2000: Inaugura-se o complexo de treinamento de beisebol na cidade de Ibiúna – SP (64 km a oeste da cidade de São Paulo – SP), de porte internacional ao custo de US$ 4 milhões financiados pela empresa Yakult, uma multinacional japonesa instalada no Brasil. Este centro de excelência tem 24 mil metros quadrados e aloja simultaneamente em regime de semi-internato 35 jogadores patrocinados por um grupo de empresas nipo-brasileiras, dispondo em seu quadro de apoio técnico e administrativo de profissionais ligados ao esporte de alto nível. Este centro de excelência está preparado para formar atletas profissionais e sua administração está a cargo da CBBS. O centro até 2003 tinha abrigado mais de 300 atletas, incluindo todas as representações nacionais.

2002: A seleção brasileira formada pela CBBS participa da Copa Internacional em Cuba, que reuniu as doze melhores equipes do mundo (EUA ausentes, abrindo vaga para o Brasil), vencendo pela primeira vez México e Nicarágua, duas das principais forças do continente. 2003 Na CBBS consta neste ano um total de 16 jogadores brasileiros atuando como profissionais no Japão (um terço dos jogadores brasileiros de futebol no mesmo país) e mais três nos EUA, evidenciando-se assim uma melhoria de qualidade de beisebol no Brasil.

Situação Atual: Atualmente são cinco as Federações filiadas a CBBS: Paulista, Paranaense, Mato Grosso do Sul, Brasília e Rio de Janeiro, nas quais atuam 250 juízes. Além destas, há outras cinco sendo formadas nos estados de Minas Gerais, Pará, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde há atividades de beisebol em menor escala. Principais torneios: Brasileiro (junho) e Taça Brasil (novembro). Segundo levantamentos da CBBS efetuados até a presente data, pode-se afirmar que o total de clubes onde está sendo praticado o beisebol gira em torno de 120 entidades; as equipes organizadas, entretanto, totalizam 200 unidades. Dados da CBBS também indicam que o total de atletas registrados na modalidade é de cerca de 5 mil (75% deles descendentes de japoneses). Os aficionados praticantes de fim de semana correspondem a 20 mil pessoas. A prática, por sua vez, mantém-se concentrada na região do noroeste do Paraná em fronteira com estado de São Paulo. Há, portanto, um cluster de beisebol no Brasil de formação histórica cujo pólo atual é Ibiúna – SP, local do centro de treinamento de excelência deste esporte no Brasil. Mas um fator limitativo de expansão da prática por outras regiões brasileiras refere-se ao elevado custo do material necessário ao jogo, que ainda é importado (luva de receptor: US$400,00). Alguns jogadores foram transferidos por compra para os EUA e para o Japão por somas que oscilam até US$300 mil (US$700 mil ocorreu em um caso). Resultados internacionais de destaque: 1o lugar no Mundial Junior de 1993; 2o lugar no Mundial Juvenil de 1995; 2o lugar no Mundial Infantil de 2000; e 5o lugar nos Jogos Panamericanos de Santo Domingo – 2003. Esta última colocação abriu uma vaga para o Campeonato Mundial, em outubro de 2003, em Cuba. A campanha do Brasil na capital dominicana foi de três vitórias e três derrotas. Em Winnipeg – 1999, a equipe brasileira não teve vitórias e foi eliminada na fase classificatória. Atualmente há iniciativas, por parte de várias prefeituras municipais, no sentido de implementar projetos sociais que se utilizam desta modalidade de esporte, como forma de inclusão social para meninos e meninas carentes. É o caso de Curitiba – PR, com o projeto Piá do Beisebol; em Londrina -PR, com a Fundação de Esporte; em São Paulo, por iniciativa de alguns colégios; em Pirituba – SP por iniciativa da Prefeitura local; e em Corumbá – MS, promovido pela Secretaria Municipal. Além destas iniciativas, a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol – CBBS em parceria com a Prefeitura de Ibiúna – SP e Vargem Grande – RJ, criou o projeto “Beisebol Solidário”.


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