A História da Pré-História

Os Primeiros Representantes da Espécie Humana

Para compreender melhor as transformações ocorridas com o ser humano e as sociedades ao longo do tempo, costuma-se dividir a História em períodos, escolhendo-se alguns acontecimentos como marcos de cada um desses períodos. Essas divisões constituam criações dos estudiosos que investigam e constroem esse tipo de conhecimento, ou seja, os historiadores.


Postura ereta, independência das mãos, ampliação da capacidade cerebral e domínio de uma linguagem: essas características, adquiridas no período conhecido como Pré-História, foram decisivas para a sobrevivência da espécie humana. É o que revela o estudo dos vestígios deixados por nossos ancestrais.

É possível estabelecer diversas formas de divisão da História, tendo em vista explicar alguns aspectos de determinada época. Às vezes propõe-se englobar grandes espaços de tempo em um só período, outras vezes tenta-se explicar várias situações ocorridas em um mesmo curto espaço de tempo. Os critérios para delimitar esses períodos podem ser econômicos, políticos, sociais ou culturais. É a partir dessa delimitação do objeto de estudo no tempo que se inicia o trabalho do historiador.

Uma das periodizações possíveis é a que propõe dois grandes períodos básicos: Pré-História e História, tendo como critério de divisão o fato de os povos terem ou não o domínio da escrita. Assim, situa-se a Pré-História entre o surgimento dos hominídeos (família da ordem dos primatas que inclui o gênero humano) e as primitivas manifestações da escrita (por volta de 3500 a.C.). A História seria um período mais curto, iniciado nessa época e cuja finalização ainda não foi determinada.

Na base dessa periodização, está a idéia de que apenas os documentos escritos poderiam fornecer dados confiáveis para reconstruir o passado humano. Ao formularem essa hipótese, no século XIX, os europeus não viam ainda como possíveis fontes de estudo do historiador a pesquisa arqueológica e a cultura material, ou seja, os artefatos usados ou produzidos pelo ser humano ou as transformações realizadas pelo indivíduo em determinado local com o objetivo de torná-lo sua habitação. Esses elementos, que ampliariam depois o universo do pesquisador, constituíam na época apenas interesse de colecionadores, relicários e antiquários. Portanto, pensava-se que as sociedades ágrafas, por não dominarem a escrita, não poderiam ter história, muito menos reconstruí-la.

Desse modo se estabeleceu uma divisão entre as sociedades que deram início, a partir do domínio da escrita, a um ”natural processo civilizatório” e as sociedades em estágio ”inferior” de desenvolvimento, cujo período de duração deveria ser considerado prot(o)- (do grego prôtos, ”primário”) ou pré- (do latim prae-, que indica ”anterioridade”) histórico.


Pintura Rupestre Primitiva
Reprodução

Pintura rupestre, uma rica fonte de informações sobre o modo de vida de povos da Pré-História.

A Pré-História constitui um período extremamente longo, em que as transformações se concretizaram de maneira muito lenta, se levarmos em conta a noção de tempo do mundo contemporâneo. Nesse período ocorreram as transformações que resultaram na constituição do aparato biológico do Homo sapiens sapiens, o ser humano moderno. Esse aparato, que lhe permite adaptar-se a diversos meios ambientes, desde então não se modificou. As evoluções se deram no campo da cultura, que se tornou cada vez mais complexa (o ser humano aprendeu a dominar o fogo, a desenvolver utensílios por meio da metalurgia, a fazer objetos de cerâmica, a praticar a agricultura, etc).

A Luta pela Sobrevivência

Estimativas atuais datam a idade da Terra em aproximadamente 3 ou 4 bilhões de anos. Durante este longo tempo, diversas espécies de animais surgiram, desenvolveram-se e muitas delas desapareceram. Achados arqueológicos estimam que os primeiros hominídeos viveram há 3,5 milhões de anos mais ou menos, ou seja, são relativamente recentes, se levarmos em conta o tempo em que existe o planeta.

Entre os inúmeros animais existentes na Terra, o ser humano parece ser fisicamente um dos mais despreparados e desprotegidos para enfrentar a natureza. No entanto, foi o único que conseguiu ultrapassar os obstáculos e limites naturais para produzir sua própria história, que se distingue da história natural. Os outros animais tendem à especialização, ou seja, podem às vezes adaptar-se muito bem a determinado ambiente, porém, no caso de esse ambiente sofrer grandes modificações, tais animais não têm como sobreviver. Por sua vez, o ser humano tornou-se capaz não só de transformar um ambiente como de adaptar-se a ele. Mostrou-se capaz de compreender e controlar a natureza, e, por meio do trabalho, transformá-la em favor de sua sobrevivência. Vivendo em sociedade, isto é, relacionando-se com outros seres de sua espécie, acumula, troca e reproduz conhecimentos ao longo do tempo, tornando esse controle mais eficaz e produtivo.

Podemos citar alguns fatores como determinantes para o desenvolvimento natural da espécie humana e sua adaptação aos diversos meios naturais: a postura ereta, que possibilitou a independência das mãos; a ampliação gradativa da capacidade cerebral; o domínio de uma linguagem, que permitiu a troca e difusão de todo tipo de conhecimento. As explicações para essa adaptação física e natural são diversas; as justificativas incluem argumentos biológicos, capacidade intelectual para adaptações a um novo meio natural, mudanças nas relações sociais e a seleção natural da espécie.


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