História da Mesopotâmia

A Mesopotâmia

A Mesopotâmia (do grego meso, ”meio”, potamos, ”água”, significando ”terra entre rios”) era uma região situada entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje se localiza grande parte do território do Iraque. Podemos dividi-la em Alta Mesopotâmia ou Assíria (região montanhosa e árida, ao norte) e Baixa Mesopotâmia ou Caldéia (ao sul, com terras ricas e férteis).


Código de Hamurábi – Parte superior da estela do Código de Hamurábi.

Desde o Paleolítico, vários povos já habitavam essa região, que recebeu também inúmeros imigrantes vindos da Ásia, já que se tratava de área de passagem para o continente europeu e o norte da África. Destacaram-se, entre esses povos, os sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus.

O Controle das Cheias e a Atividade Econômica

O trabalho de controle das cheias do Tigre e do Eufrates e de construção de sistemas de irrigação era fundamental para a sobrevivência local, gerando conflitos e lutas pelo poder entre os povos estabelecidos na região. O trabalho era executado por homens livres e por escravos, que tinham alguns direitos definidos em lei (por exemplo, apesar da sua condição, os escravos podiam casar-se com mulheres livres e acumular bens).

A agricultura era a principal atividade econômica da região, destacando-se o cultivo de cevada, trigo e legumes. O abastecimento de água para o desenvolvimento dessa atividade exigia um grande esforço coletivo. A importância vital dessas terras irrigadas determinou um complexo sistema de propriedade, segundo o qual a posse privada ainda não era exercida na plenitude. A propriedade da maioria das terras era dos templos e do Estado, que as distribuíam para rendeiros (pagavam aluguel em moeda), colonos (pagavam em mercadorias) e funcionários públicos (pagavam em serviços). Cidades como Haddita, desenvolveram-se à margem do rio Eufrates, tirando proveito das suas cheias para a irrigação.

O artesanato (cerâmica, metais, tecidos, etc.) e o comércio também eram importantes atividades econômicas. O intenso comércio na região, as atividades administrativas das cidades (arrecadação de impostos, obras públicas) e o trabalho coletivo (organizado e unificado) foram importantes para o gradativo desenvolvimento da escrita, da matemática, do calendário, das leis, dos padrões monetários, de pesos e medidas. Todas essas normas eram registradas por meio da escrita cuneiforme: os símbolos eram gravados em pedaços de barro úmido e mole, que depois secavam e endureciam ao sol. Esse processo de registro alterou radicalmente as formas de transmissão de conhecimentos, causando uma verdadeira revolução industrial.

A organização das sociedades mesopotâmicas caracterizava-se pela divisão entre os chefes religiosos e sacerdotes, comerciantes e proprietários, homens livres sem posses e os escravos.

Os Permanentes Conflitos Políticos

Os povos que viviam na região organizavam-se em pequenos Estados independentes, que mantinham fortes relações econômicas e certa homogeneidade cultura (língua, hábitos, costumes, etc.). Porém, a permanente disputa entre esses povos e cidades criava uma situação política muito instável. Por ser também uma área muito fértil em meio a uma vasta região desértica, ela atraía constantes invasões de povos nômades. Assim, ao longo do tempo alguns povos e cidades destacavam-se e assumiam temporariamente o poder na região até que outro povo e cidade conquistasse mais poder e prestígio, e assim por diante.

O controle político nessas cidades era exercido por um líder que também era o chefe religioso (patesi) e responsável pelo templo (zigurate). Tratava-se apenas de um representante dos deuses na Terra – não sua reencarnação – e mantinha um grupo de sacerdotes para ajudá-lo a administrar a cidade. Estabelecia-se, assim, íntima relação entre o poder político e o religioso; um não existia sem o outro – situação que pode ser observada em outras sociedades da época.

Formação dos Impérios

Foram os sumérios os organizadores da primeira civilização no sul da Mesopotâmia, mais ou menos em 3500 a.C. Eles desenvolveram a escrita cuneiforme e técnicas para armazenar e transportar água. Fundaram algumas cidades importantes, como Ur, Lagash e Nipur, que viviam em constante conflito. O enfrequecimento político dos sumérios, decorrente da desunião, permitiu que povos semitas vindos do norte, da cidade de Acad, invadissem a região.

Por volta de 2300 a.C., os acádios, liderados por Sargão, governante de Acad, invadiram e conquistaram quase toda a Mesopotâmia. Tratava-se da primeira tentativa de unificação do poder no local. Mas o Império Acádio durou pouco: terminou logo após o reinado de Sargão, com a invasão de diversos povos, em especial dos amoritas, provenientes do deserto árabe.

Os amoritas estabeleceram-se na cidade de Babilônia e lá ergueram uma forte dinastia, inaugurada por Hamurábi (1792-1708 a.C). Ele exerceu o poder de forma autoritária e estabeleceu o primeiro código de leis escritas; baseado nas tradições sumérias, o Código de Hamurábi fortalecia o poder do Estado. Após a morte de Hamurábi, o Império Babilônico não resistiu ao confronto com as cidades vizinhas e às invasões de outros povos, como os assírios.


Código de Hamurábi – Escrita Cuneiforme da Mesopotâmia
Reprodução

Trecho do Código de Hamurábi, exemplo de escrita cuneiforme, utilizada na Mesopotâmia.

O enfraquecimento dos babilônios permitiu que os assírios, vindos do norte, conquistassem toda a Mesopotâmia por volta do século XII a.C. Povo guerreiro, dotado de forte e organizado exército, expandiu suas fronteiras e manteve o poder pela força. Porém, os assírios também não resistiram às revoltas internas e à pressão externa de outros povos. Nínive, sua capital, foi arrasada em 606 a.C.

A cidade de Babilônia voltou a centralizar o cenário político mesopotâmico, sob o domínio dos caldeus. A Babilônia retomou seu esplendor no reinado de Nabucodonosor, tornando-se o maior centro comercial e cultural da região. O enriquecimento possibilitou a construção de palácios, templos e outras obras públicas, como os famosos jardins suspensos da Babilônia. Após a morte de Nabucodonosor, o Novo Império Babilônico entrou em decadência, sendo conquistado pelos persas em aproximadamente 539 a.C.


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