História da Corrida de Orientação

A orientação é um esporte no qual os atletas usam um mapa detalhado e uma bússola para encontrar pontos no terreno previamente mapeado. Esta atividade pode proporcionar conhecer lugares novos, fazer novas amizades, desfrutar o tempo livre com a família e participar de campeonatos de Orientação. Um percurso de Orientação é composto por um ponto de partida, um ponto de chegada (que pode ser o mesmo ou não) e uma série de pontos intermediários numerados, por onde o praticante terá que passar seguindo a seqüência determinada no mapa. Existem várias modalidades deste esporte: corrida de orientação, orientação sobre esquis, orientação para pessoas portadoras de deficiências e orientação em mountain bike. A Corrida de Orientação, também chamada simplesmente de Orientação – a modalidade mais praticada no Brasil – caracteriza-se por ser uma corrida aeróbica, semelhante ao crosscountry, desenvolvida em florestas, matas, trilhas e campos. Data de 1850 a referência a grupos militares escandinavos que desenvolveram atividades esportivas assemelhadas às da Corrida de Orientação como alternativa de lazer e como instrução militar. Na última década do século XIX, em torno de 1890, a atividade tornou-se competitiva, sendo, no entanto, ainda muito fácil, isto é, com poucos postos de controle, muitas vezes sinalizados por pessoas e colocados em acidentes do terreno bastante definidos, em virtude da má qualidade dos mapas da época que, provavelmente, até então, não passavam de esboços ou croquis. Em 2003, foram encontrados relatos do final da década de 1940, na Escola de Educação Física do Exército-EsEFEx, sobre a participação de militares brasileiros como observadores das “Lingíadas”, competições realizadas na Suécia como homenagem póstuma a Ling, ícone da Educação Física sueca do século XIX. Considerando a dimensão que a Corrida de Orientação já atingia na Suécia, à época, presente até mesmo como matéria obrigatória dos currículos escolares, é razoável supor que os referidos militares tenham sido os primeiros a ter contato com esta modalidade de esporte. Também é provável que tenham trazido a modalidade para o Brasil, porque poucos anos mais tarde, em 1956, foi realizado o primeiro percurso de cross-country orientado no Rio de Janeiro, tendo como organizadores membros da EsEFEx.

1912:
A Corrida de Orientação participa do programa da Federação Sueca de Atletismo por influência do chefe escoteiro Ernst Killander. O escoteiro Killander viveu de 1882 a 1958 e é considerado o pai da Corrida de Orientação por ter conduzido, para esta nova modalidade de esporte, os jovens que se afastavam da corrida e do atletismo.

Década de 1930 e 1940: Este período é marcado por muitos avanços tecnológicos na modalidade. O sueco Bjorn Kjellstrom, seus dois irmãos e o inventor Gunnar Tillander desenvolveram o chamado sistema Silva de bússolas. Houve, também, um grande aprimoramento nos mapas, melhorando o nível técnico das competições. O corredor de longas distâncias, que sempre vencia as competições, cedeu lugar a um atleta mais completo, que coloca sua aptidão física a serviço de sua capacidade de orientação. A Orientação em Ski é reconhecida pelo COI em 1949.

1956:
No Brasil, a Divisão de Educação Física-DEF do Ministério da Educação e Cultura-MEC da época, organiza o primeiro percurso de Cross-Country Orientado no país, que se realizou na Gávea, Rio de Janeiro-RJ, sendo arbitrado pela EsEFEx. A fonte primária do evento é a Revista da EsEFEx no 83 de outubro de 1956, em artigo assinado pelo Major Luiz Peixoto.

Décadas de 1960 – 1970: Neste período a Corrida de Orientação foi institucionalizada em termos internacionais. Em 1961 foi fundada a International Orienteering Federation-IOF. A seguir, em 1965, ocorreu o primeiro campeonato do Counceil International du Sport Militarie-CISM. Posteriormente, em 1977, a modalidade Orientação foi reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional-COI.

Década de 1970: Três oficiais das Forças Armadas do Brasil, em 1970, foram à Dinamarca a fim de observar as competições de Orientação organizadas pelo CISM. Em 1971, o então Capitão Tolentino Paz da Silva recebeu o encargo de selecionar e treinar uma equipe do Exército em Orientação; neste mesmo ano ocorreu a primeira participação internacional de uma equipe brasileira da modalidade no campeonato do CISM, na Noruega. Em 1972 acontece o primeiro Campeonato de Corrida de Orientação das Forças Armadas no Brasil. Em 1974, a modalidade é incluída no currículo da EsEFEx, primeiro estabelecimento de ensino superior a adotá-la como matéria obrigatória; elabora-se também o “Manual de Orientação” pela EsEFEx, a primeira publicação sobre o esporte no Brasil que até hoje é atualizada anualmente. O esporte Orientação foi reconhecido pelo COI em 1977. Em 1978, no Campeonato Mundial de Pentatlo Aeronáutico do CISM, realizado em Rezende-RJ, acontece o primeiro percurso de Orientação com competidores internacionais no país. Em 1979, as atividades de Corrida de Orientação são inseridas no currículo da Academia Militar das Agulhas Negras-AMAN.

Década de 1980: Em 1983 é realizado em Curitiba-PR, pela primeira vez no Brasil, o Campeonato Mundial Militar de Corrida de Orientação, promovido pelo CISM; professores civis também participaram do estágio técnico do campeonato para divulgação do novo esporte. No dia seis de julho de 1986, realiza-se a primeira competição civil oficial, o I Campeonato Metropolitano de Corrida de Orientação de Curitiba; ainda no mesmo mês, acontece o Primeiro Campeonato Carioca de Corrida de Orientação, promovido pelo Clube de Orientação Floresta-RJ, e no mesmo ano Leduc Fauth, professor de Educação Física em Brasília e participante do estágio de Curitiba, inicia a divulgação da Orientação para civis na Capital Federal, com a criação do Clube de Orientação de Brasília. Fauth fez várias viagens à Europa e nos retornos promoveu “caravanas” de divulgação da modalidade em várias cidades brasileiras. Em 1986 foi criada a Copa do Mundo de Orientação. Em 1987, organiza-se o Campeonato Estudantil de Orientação de Santa Maria-RS (1o e 2o grau), precedido de estágio para alunos e professores civis. Em 1989, realiza-se no RJ, o I Encontro Brasileiro de Orientadores, com a finalidade de legalizar os clubes, criar condições para o surgimento das federações estaduais, promover a filiação à IOF, e divulgar técnicas, experiências, patrocínios e confecção de cartas.

Década de 1990:
Em 1991, a modalidade de esporte Orientação é incluída no currículo da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. Em 1992 realiza-se, em Brasília-DF, o XXVI Campeonato Mundial Militar de Orientação. No ano seguinte, promove-se o Circuito Aberto de Orientação do RJ, com participação de mais de 300 militares e civis nas três etapas na Floresta da Tijuca. 1994: 1a prova de Orientação de Ouro Preto-MG (City Orienteering). Em 1995, ocorre o I campeonato Sul Americano de Orientação, em Santa Maria-RS, com mais de 400 atletas da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, marcando a ascensão da modalidade entre os esportes brasileiros. Em 13 de janeiro de 1996 é fundada a Federação Gaúcha de Corrida de Orientação. 1998: promove-se em Santa Maria-RS, o I Campeonato Brasileiro Universitário de Orientação com 125 atletas de 19 Instituições de Ensino Superior. A seguir, em 11 de janeiro de 1999, na cidade de Guarapuava-PR, a Confederação Brasileira de Orientação–CBO é criada tendo como primeiro presidente José Otávio Franco Dornelles. Fundada a Associação Nordeste de Orientação-ANEBO, criada por atletas dos estados de AL, BA, CE, PE, PI e RN.

2000: Em 4 de novembro é fundada a Confederação Sul Americana de Orientação. O Brasil passa a ser “Membro de Pleno Direito da IOF” – Federação Internacional de Orientação. No mesmo período é realizado o I Circuito Nordeste de Orientação.

Situação Atual: Atualmente existem diversos clubes de Orientação espalhados pelo Brasil, 43 dentre eles são oficializados perante a Confederação Brasileira de Orientação –CBO e disputam o Campeonato Nacional, que inclui sete federações estaduais. Há ainda 1870 atletas filiados, sendo 1752 integrantes do ranking da confederação. Contamse, porém, mais de 6400 praticantes indiretamente filiados, através dos clubes e das federações, além de um número desconhecido de atletas praticantes que disputam somente provas locais e/ou estaduais. Existem, hoje, mais de 100 provas oficiais de orientação no Brasil a cada ano, estimando-se então um total mínimo de 10 mil praticantes no país. Por ser um esporte que exige contato com a natureza, tem sido freqüentemente associado às corridas de aventura, constando como uma de suas provas. Dessa forma, tem despertado a atenção de profissionais cuja faixa etária está acima de 40 anos, principalmente por proporcionar uma alternativa natural de vida ou de combate ao estresse. A modalidade tem também atraído a atenção de praticantes das mais variadas idades e de ambos os sexos, sendo aproximadamente 20% de mulheres e 28% de crianças. Por aliar a atividade aeróbica (corrida de endurance) ao raciocínio lógico, tem despertado o interesse de um número crescente de pesquisadores da área da motricidade humana e da psico-fisiologia. Hoje existem por volta de dez mestres ou mestrandos e uma gama de monografias de pós-graduação e graduação envolvidas com o tema desta modalidade de esporte. A CBO possui um plano de expansão para a modalidade de esporte e um projeto de formação de base, o que tem acarretado um acréscimo de atletas e praticantes da ordem de 20% por ano. A CBO pretende, para o futuro, manter uma estrutura para treinamento de alto rendimento, com vistas à participação de equipe completa no Campeonato Mundial. Hoje, estes centros encontram-se ligados às Universidades Federais do Rio de Janeiro-RJ e de Santa Maria-RS. Diante da abrangência do esporte, a CBO, ao atualizar sua política de desenvolvimento, dividiu-a em quatro vertentes de desenvolvimento: alto-rendimento, ambiental, pedagógica e turismo. Dessa forma, a modalidade pode ser caracterizada como um esporte competitivo a ser empregado como ferramenta de ensino, educação ambiental e como produto de eco-turismo. Recentemente, foi incluída com matéria obrigatória em escolas de ensino fundamental e médio do interior do Rio Grande do Sul. A modalidade está também presente no ensino superior, desde 1974, na Escola de Educação Física do Exército-EsEFEx, que hoje é pioneira no estudo e na divulgação do esporte no Brasil. A CBO tem ministrado, regularmente, diversos cursos na área, tendo atualmente 734 mapeadores, sendo 18 de nível nacional, 8 juízes nacionais e técnicos de equipes para alto rendimento. Desta forma a Confederação ratifica um de seus primeiros objetivos. Além de estar filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro-COB e à Federação Internacional de Orientação-IOF, formou um quadro de técnicos, mapeadores e juízes controladores. Conta, ainda, com um Superior Tribunal de Justiça, conforme a legislação esportiva nacional. A partir do ano de 2000, o Brasil voltou a se fazer representar no cenário mundial através da equipe das Forças Armadas, nos Campeonatos Mundiais Militares do CISM-Conselho Internacional do Esporte Militar. Esta equipe é coordenada pela Comissão Desportiva Militar do Brasil-CDMB, tendo a sua comissão técnica composta por militares da Comissão Desportiva do Exército-CDE e da EsEFEx. Espera-se, por meio da Federação Internacional de Orientação-IOF, órgão máximo mundial do esporte, com sede em Helsinque, Finlândia, a inclusão da modalidade no programa dos Jogos Olímpicos de 2012. Atualmente existem aproximadamente 64 países-membros praticantes de Corrida de Orientação.

Procedimentos básicos para os praticantes de Corrida de Orientação

O atleta deve utilizar um mapa e uma bússola para percorrer um itinerário que é balizado por pontos de passagem obrigatórios, denominados pontos de controle. Estes pontos são materializados no terreno por um prisma de cor laranja e branco, dotado de um picotador a ser acionado para comprovar a passagem do atleta pelo referido ponto.O atleta desenvolve a corrida por um terreno desconhecido, tendo a liberdade de escolher a rota como melhor lhe convier, levando em consideração seu nível técnico e sua condição física. Esta modalidade requer do atleta uma intensa atividade cognitiva aliada a uma atividade física de alta intensidade. Tal fato confronta a Corrida de Orientação com o cross-country e com muitos outros esportes que não conseguem exigir de seus praticantes, com a mesma intensidade, o limite de suas potencialidades fisiológicas e mentais. A competição exige habilidades específicas, tais como a leitura precisa de mapas, a avaliação de distâncias, a escolha de rotas, o uso da bússola, a tomada de decisão sob pressão, bem como qualidades físicas como resistência, potência aeróbica e resistência muscular localizada. As modalidades podem variar entre orientação pedestre, mountain bike, orientação sobre esquis e trail orienteenring (para portadores de necessidades locomotoras especiais). A competição é dividida por faixas etárias, por sexo e por níveis de dificuldade, com a finalidade de tornar cada vez mais fácil a iniciação de novos adeptos. Pode ainda ser realizada em um ou mais percursos, em dias alternados ou seqüenciados, em duplas ou por equipes de revezamento, de acordo com a forma de disputa da competição. O tempo de duração da atividade é da ordem de 45 a 60 minutos para mulheres, e de 60 a 80 minutos para homens, sendo considerado vencedor aquele que completar o percurso no menor tempo, tendo passado pelos pontos previstos.


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