Depois do próprio Jesus, a figura mais influente do estabelecimento do cristianismo era um judeu que confeccionava tendas e que, em certa época, havia hostilizado abertamente a nova fé e seus seguidores.
São Paulo (5 d.C. – 67 d.C.) nasceu como Saulo, filho de uma família próspera de Tarso, localizada na atual Turquia. Seu pai era cidadão romano, uma designação muito útil, herdada por Saulo e que oferecia um certo grau de segurança no Império Romano.
Saulo foi educado tanto na tradição helenística (grega) quanto na judaica. Enquanto estudava em Jerusalém, soube da controvérsia criada por Jesus de Nazaré e da nova seita dos cristãos. Considerando essas pessoas como blasfemadores, Saulo tornou-se caçador de cristãos, espionando-os e arrastando-os para tribunais religiosos.
Segundo a Bíblia, algum tempo depois da crucificação de Jesus, quando Saulo se encontrava na estrada para Damasco, Cristo apareceu para ele em uma visão de tal luz que o deixou cego. Jesus perguntou: ”Saulo, Saulo, por que me persegues?” Quando Saulo perguntou quem falava, a voz respondeu: ”Eu sou Jesus, a quem tu persegues! Levanta-te, entra na cidade. Aí será dito o que deves fazer.”
No mesmo instante, Saulo se converteu ao cristianismo. Entrou em Damasco, onde foi batizado e, imediatamente, voltou a enxergar. Logo se tornou um devoto apaixonado. Aprendeu tudo o que pôde com os discípulos de Jesus e então, começou a seguir um plano para propagar os ensinamentos de Cristo no Oriente Médio e além. Nos anos seguintes, ao longo de suas viagens, Saulo – agora conhecido como Paulo, seu nome romano – fez conversões, estabeleceu igrejas e escreveu muitas cartas, chamadas epístolas, descrevendo a doutrina cristã.
Giotto. São Paulo.
Ao contrário da maioria dos primeiros cristãos, Paulo acreditava que devia pregar aos judeus, assim como aos não-judeus. Seu sucesso na conversão de membros das duas categorias enfureceu as autoridades judaicas e romanas. Quando viajou a Jerusalém, foi preso por dois anos.
Ao ser libertado, decidiu ir para Roma e, no decorrer da viagem, sofreu um naufrágio e foi parar na ilha de Malta. A história é contada no Evangelho de São Lucas no Novo Testamento. Ao chegar a Roma, Paulo encontrou o apóstolo Pedro, o sucessor escolhido por Jesus. Ali passou os dois anos seguintes, escrevendo e pregando, e foi reconhecido como líder da comunidade cristã.
O fim preciso de Paulo é desconhecido, mas conta-se que ele foi preso e decapitado em Roma por ordem do Imperador Nero (37 d.C. – 68 d.C.), famoso pelas perseguições severas aos cristãos. Praticamente sozinho, Paulo difundiu o cristianismo pela região oriental do Mediterrâneo. Menos de 300 anos depois, esta viria a se tornar a religião do próprio Império Romano.