A História e Biografia de Safo (Psafo)

Nascida em Mitilene (625? – 570? a,C.), na ilha de Lesbos na Grécia, Safo (ou Psafo, como ela se referia a si própria) era poeta tão renomada que, dois séculos depois de sua morte, Platão a chamou de a ”décima musa”. Embora o que se conheça sobre sua vida e obra venha de fragmentos registrados por outras pessoas, tudo indica que Safo provinha de uma família rica e se casara cedo com Cercilas. Com ele teve uma filha, a qual chamou de Cleis, como sua mãe. Ela foi contemporânea de Esopo, do rei Creso e dos poetas líricos Stesichorus e Alceu. Safo e Alceu foram os primeiros a escrever prosa pessoal e subjetiva, um estilo ainda popular nos dias de hoje.

Segundo Tullius Laurea, Safo escreveu nove livros de odes, epitalâmios (cantos de boda), elegias e hinos, mas apenas poucos fragmentos dessas obras chegaram aos nossos dias. Os nove livros parecem ter sido organizados segundo a métrica da poesia. O primeiro livro, por exemplo, só contém poemas escritos em sáfico, um tipo de verso que ela inventou. O sáfico consiste em uma estrofe de quatro linhas, sendo que as três primeiras linhas têm onze sílabas cada e a quarta linha, cinco.

Enquanto outros poetas glorificaram deuses e heróis, os poemas de Safo, em geral, eram sobre amor, morte e paixão e estavam repletos de cenas idílicas da vida na Grécia e da vida das mulheres. Um dos fragmentos de sua poesia que chegou aos nossos dias é a Ode de Afrodite, que foi citada pelo estudioso Dionísio de Halicarnasso no século I a.C. A obra de muitos poetas gregos que vieram depois, inclusive a de Teócrito, traz a marca da influência de Safo.

Ercolano. Safo. Museu Nacional de Nápoles.

Safo ensinou música e poesia a um grupo de jovens mulheres aristocratas e, quando elas se casavam, compunha uma ode especial para a ocasião. Ela também inventou uma lira de vinte uma cordas, com a qual se acompanhava quando cantava seus poemas.

Sua obra era aclamada pela beleza de sua expressão, pela extrema simplicidade de forma e a grande profundidade e intensidade da emoção, o que tornava seus poemas únicos. Contrastando com os outros poetas de seu tempo, a linguagem que usava não era um dialeto literário criado artificialmente, mas sim o discurso comum, como mostra este poema sobre a morte: ”Isto nós sabemos/ A morte é um mal/ Quanto a isso temos a palavra dos deuses; eles também/ Morreriam se a morte/ Fosse uma coisa boa.”


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