Em 1397, Margaret (1353-1412) conseguiu unir os reinos escandinavos da Dinamarca, Noruega e Suécia, uma realização única na história dos três países. A união que ela empreendeu durou 136 anos. Descendente de Canute (994-1035?), o primeiro rei dinamarquês da Inglaterra, e filha do rei Valdemar IV, ela se casou aos 10 anos de idade com Haakon VI da Noruega (1355-1380), filho de Magnus Eriksson da Suécia e Noruega. Embora Haakon tenha perdido a coroa sueca um ano depois, continuou sendo soberano na Noruega, e Margaret, uma erudita de talento, cresceu na corte norueguesa.
Seu filho Olaf V, que nasceu em 1370, foi aceito como rei pelos dinamarqueses, quando o pai de Margaret morreu em 1375, e também recebeu a coroa da Noruega, quando Haakon morreu, em 1380. Por Olaf não ter idade suficiente, Margaret governava em seu nome.
Rainha Margaret, cerca de 1470.
Em 1387, Olaf morreu e ela foi declarada ”senhora soberana e governante” dos dois países. Para que houvesse um governante masculino, em 1389, Margaret adotou seu sobrinho-neto, Eric da Pomerânia (Eric III, 1389-1440). A seguir, ela voltou suas atenções para a Suécia, onde nobres enraivecidos haviam se rebelado contra seu rei alemão, Albert de Mecklenburg. Após derrotar o exército de Albert, ela o aprisionou.
A Liga Hanseática interveio e ordenou que Albert fosse libertado, sob pagamento de 60 mil marcos e Margaret. Mas Albert não pagou a quantia determinada e Margaret ganhou o controle da Suécia. Em junho de 1397, quando Eric foi coroado rei, os três países foram unidos pela primeira e única vez na história, sob a liderança de Margaret. Mesmo depois que Eric atingiu a maioridade, em 1401, Margaret continuou a governar por ele. Usando seu comando, mas também atuando com diplomacia, ela agiu de forma a consolidar seu poder e centralizar sua autoridade. Para isto, estabeleceu uma rede de governadores de província, que governavam os territórios em que moravam – um sistema que serviu para fortalecer o compromisso com a coroa, e não com uma região. Fez também uma reforma monetária na Dinamarca e construiu o tesouro real, cobrando impostos e reivindicando centenas de propriedades da Dinamarca e Suécia que já haviam pertencido à Coroa.
Nas relações exteriores, Margaret era uma estadista habilidosa, mantendo cuidadosamente a neutralidade de seu país, ao mesmo tempo em que continuava a reconquistar terras dinamarquesas perdidas. Conseguiu, em grande parte, realizar seu objetivo básico de criar um reino unificado e sustentar a soberania da Escandinávia face à contínua espansão territorial germânica. Embora a união dos três países tenha terminado em 1523, a união entre Suécia e Noruega continuou por mais de 400 anos, até 1814. Margaret morreu a bordo de seu navio, no porto de Flensborg, com 59 anos de idade.