A rainha Maatkare Hatshepsut (morta em 1483 ? a.C.), da décima oitava dinastia, é lembrada não apenas por seu reinado de paz e prosperidade, durante o qual o comércio floresceu, como também por seu glorioso templo funerário, conhecido como o Sublime dos Sublimes, construído em uma encosta rochosa, em Deir el-Bahri, em frente ao templo de karnak, em Tebas. Tudo que se sabe hoje sobre ela baseia-se nas inscrições encontradas nas paredes do templo, que representam um relato pictórico dos eventos de sua vida e de sua origem divina.
Hatshepsut era filha de Tutmés I e da irmã dele, a grande rainha Ahmose. O sucessor de Tutmés I, Tutmés II, fruto de sua união com uma rainha de menor importância, casou-se com sua meia-irmã, Hatshepsut, seguindo a tradição egípcia. Com Hatshepsut, teve apenas filhas, e seu herdeiro, Tutmés III, nasceu da união com Ísis, uma esposa secundária. Quando Tutmés II morreu, Hatshepsut tornou-se a governante, já que Tutmés III tinha apenas 6 anos. Em 1503 a.C., ela foi duplamente coroada, assumindo o título de faraó. Uma vez no trono, anunciou que Amon-Rá, rei dos deuses, a tinha escolhido para governar. Para fortalecer sua posição ainda mais, nomeou como conselheiros os homens mais eminentes e talentosos de seu reino. Um destes homens era Senenmut, chefe-de-obras e confidente íntimo, que se tornou ”pai adotivo” de suas filhas. Sob o comando da rainha, ele restaurou o templo da deusa Hathor em Cusae, que estava em ruínas. Senenmut também projetou e construiu o magnífico templo funerário em Deir el-Bahri, que foi colocado no topo de uma série de três terraços, cada um deles flanqueados por pórticos sustentados por colunas acaneladas. Uma coluna dupla de esfinges levava ao terraço inferior, onde foram colocados dois pilares de quatro faces feitos de pedra com ponteiras em formato de pirâmide.
Cabeça de estátua em pedra calcária pintada da Rainha Maatkare Hatshepsut, XVIII dinastia. Museu do Cairo, Egito.
Durante seu reinado, foi restabelecido o comércio com a região vizinha de Negau, de onde obtinha-se madeira, e as minas de turquesa do Sinai foram reabertas. Hatshepsut também mandou enviados ao Sul para negociar acordos para o comércio de metal e de outras mercadorias, como peles de pantera e presas de elefante da Líbia. Um dos acontecimentos mais notáveis de seu reinado foi a expedição a Punt, que estabeleceu a rota ao longo do Nilo até o Mar Vermelho, com o objetivo de obter árvores de incenso, cujos grãos eram queimados perante as estátuas dos faraós. Trinta e uma árvores foram plantadas em frente aos terraços em Deir el-Bahri.
Quando subiu ao trono, Tutmés III destruiu as estátuas do belo templo de Hatshepsut e enterrou seus pedaços. Mais de 3.400 anos depois, arqueólogos do Museu de Ciência de Nova York recuperaram muitos dos fragmentos e, num trabalho árduo, os restauraram.