A História e Biografia de Mani

O profeta Mani (216 d.C. – 276 d.C.) nasceu de pais persas perto de Ctesifon, capital do Império Pártia (próximo ao atual Iraque). O pai era membro de um grupo devoto que realizava batismos e Mani foi criado como cristão. Entretanto, deixou esse grupo por causa de duas revelações espirituais: a primeira aconteceu quando tinha 12 anos e a segunda, aos 24.

Mani passou a vida trabalhando ativamente como missionário, propagando seus ensinamentos por meio de escritos e pinturas. Acreditava fervorosamente no poder da arte visual na comunicação religiosa e produziu um livro de imagens para ilustrar sua doutrina, que ficou conhecida como maniqueísmo.

Segundo essa doutrina, a luta fundamental do universo é o duelo entre o Bem e o Mal, representados pelo Pai da Grandeza e pelo Príncipe das Trevas. A alma humana caiu no mundo material e está presa a um ciclo interminável de reencarnação, até que o Pai da Grandeza mande um salvador para resgatar aqueles que estão dormindo nas trevas. O caminho para a salvação é o conhecimento ou a experiência direta da Luz.

Mani viajou para Media (oeste da Pérsia) e depois foi até a Índia, mas a princípio, fez poucos seguidores. A grande virada de sua vida missionária se deu com a conversão de Peroz, irmão de Shapur I, líder do Império Sassânida, que substituiu o Império Pártia. Shapur I reconheceu oficialmente Mani e sua religião no dia da coroação real, em 243 d.C.

Shapur I também deu permissão a Mani para que pregasse em todo o Império Persa. Muitas pessoas foram atraídas para a nova fé e esses seguidores eram instruídos a levar vidas ascéticas: deveriam se abster de comer carne e ter relações sexuais. A religião também pregava uma rejeição a todo tipo de violência, orações quatro vezes ao dia e confissão semanal dos pecados.

Mani. Afresco da cidade indiana de Kotcho. AKG Images.

Com o apoio de Shapur, Mani enviou seus discípulos ao Egito, Báctria e Zab (próximo ao Mar Cáspio) e a fé continuou a se propagar. Entretanto, após a morte de Shapur, Mani perdeu o favoritismo. O governante seguinte queria restaurar o zoroastrismo como fé do império. Mani foi acusado de falsidade, preso e executado.

Os seguidores de Mani foram perseguidos no Império Sassânida. Apesar dessa perseguição, a nova religião persistiu por lá até os tempos islâmicos. Além disso, o maniqueísmo se propagou pelo ocidente através de boa parte do Império Romano, ganhando novos convertidos, dos quais o mais famoso foi o jovem Agostinho de Hippo.


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