A História e Biografia da Imperatriz Teodora

Conforme descreveu o historiador bizantino Procópio (500-565? d.C.) em seu livro História Secreta, Teodora (497-548 d.C.) era filha de Acácio, que cuidava dos ursos do Hipódromo em Constantinopla. Ao ficar órfã, aos 4 anos de idade, seguiu sua irmã na carreira teatral. Com 15 anos, já era uma conhecida dançarina e mímica, famosa por sua beleza e talento cômico. Em suas viagens pelo Egito, conheceu Timóteo, um monofisita (que acreditava que Jesus Cristo tinha uma natureza composta humana e divina) que influenciou em muito sua formação religiosa.

Enquanto trabalhava como fiandeira de lã em Constantinopla, Teodora conheceu Justiniano I (483-565 d.C.), herdeiro do trono bizantino e 20 anos mais velho que ela. Justiniano se apaixonou por Teodora e, em 523, seu tio Justino I (452-527 d.C.), revogou a lei que proibia que senadores se casassem com mulheres do teatro, o que possibilitou o casamento dos dois.

Detalhe de um mosaico retratando a Imperatriz Teodora e seu séquito, 547. Igreja de San Vitale, Ravena.

Quando o tio morreu, Justiniano subiu ao trono e fez de Teodora governante ao seu lado. O talento e a autoridade de Teodora ficaram evidentes imediatamente em todos os assuntos administrativos, religiosos e políticos. No início de seu reinado conjunto, como resultado dos altos impostos e outros conflitos políticos, uma insurreição, conhecida como a Revolta de Nika, estourou em Constantinopla. Teodora convenceu seu marido a não fugir da cidade quando o palácio foi atacado, o que permitiu que suas tropas, comandadas pelo general Belisário, dispersassem os rebeldes.

Embora apoiasse totalmente o desejo do marido de reconstruir o Império Romano, Teodora sempre se opôs à expansão de seus domínios através do constante estado de guerra. A história provou que sua opinião fora realmente a escolha mais sábia. Justiniano ficou famoso por ter codificado a lei romana, um processo que levou dez anos, e Teodora exerceu grande influência em seu modo de pensar. O resultado do trabalho, o Cordex e outros volumes, ainda forma a base do sistema legal de muitos países europeus.

A devoção de Teodora à justiça social para as mulheres foi única em sua época. Durante o seu reinado, as leis do divórcio foram modificadas, as filhas passaram a ter direito à herança, foi dado às esposas o direito de reter a posse de seus dotes e passou a ser proibido vender crianças como escravas para pagar dívidas dos pais. Um decreto de 535 proibiu prostíbulos nas cidades mais importantes, e Teodora comprou, de seu próprio bolso, a liberdade de quinhentas meninas que haviam sido vendidas para a prostituição, providenciando uma casa perto do Mar Negro para elas.

Depois que Teodora morreu de câncer, aos 51 anos, Justiniano ficou tão abalado que poucas leis eficazes foram aprovadas nos 17 anos que se seguiram até sua morte.


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