História e Biografia de Luís Vaz de Camões

Não sabemos muito ao certo sobre a vida de Camões. Deve ter nascido em Lisboa no ano de 1524 ou de 1525. Frequentou círculos de nobreza e deve ter tido acesso a uma vasta erudição, mas não é certo como o fez. Esteve preso por diversas vezes, por causa de amores proibidos e de brigas. Combateu no Norte de África como militar, onde foi ferido e ficou cego de um olho. Esteve na Índia e em Macau entre 1553 e 1569. No ano de 1569 chegou a Lisboa, onde escreveu Os Lusíadas. Recebeu, depois da publicação do poema, dedicado a Dom Sebastião, em 1572, uma pensão anual e talvez pequenina. Morreu em 1580 (Camões, 1999: 7).

A obra

Além do poema épico Os Lusíadas Camões escreveu três autos (Camões, 1999, 16), a saber:

- Auto dos Enfiatrões, sobre o amor de Júpiter por Alcmena, a esposa de Anfitrião,

- Auto do Filodemo, sobre as aventuras dos irmãos Filodemo e Florimena, que ficam sózinhos no mundo depois de um naufrágio,

- Auto d’ El Rei Seleuco, sobre os amores de Antíoco, filho do rei.

Também quatro cartas estão guardadas, duas escritas em Lisboa, uma escrita em Ceuta, e uma em Macau. Sobretudo a sua obra lírica é múltipla: redondilhas, sonetos, éclogas, odes, oitavas, elegias, canções e uma sextina (Camões, 1999: 17). Além de Os Lusíadas, são traduzidas para o holandês uma carta de Camões pelo tradutor August Willemsen (2003) e partes da sua obra lírica por Dolf Verspoor (1970), E.F. Tijdens (1946) e Jean-Pierre Rawie (1989).

Os Lusíadas são um poema em dez Cantos, e narram sobre as vicissitudes de Vasco da Gama durante a sua primeira viagem para as Índias orientais. Os Lusíadas seguem a estrutura de Aenéi do escritor latim Virgílio quanto à estrutura interna. As regras de Ariosto, usadas no Orlando Furioso (1516) formam a base de Os Lusíadas quanto à rima: os versos são escritos em dez sílabas (decassílabos), e as estrofes consistem de oito versos (a oitava), no esquema de rima ABABABCC. As regras clássicas para escrever uma epopeia consistem em:

- o emprego de uma proposição, na qual o poeta apresenta o assunto do poema;

- uma invocação, um apelo à inspiração a uma musa;

- uma dedicatória, isto quer dizer nomear o nome a quem a obra é dedicada,

- a narração, a história definitiva;

- o uso que a epopeia tem de começar ‘in media res’, o que quer dizer que a narração começa no momento em que a história já começou;

- o uso que a obra tem de ter uma unidade de acção, isto quer dizer só uma linha de narração. (Camões, 1999: 20)

Em alguns casos, Camões afasta-se das regras, o que se tornou a fonte de muita crítica durante os séculos. O assunto de Os Lusíadas não é, por exemplo, a vida ou as aventuras de uma pessoa, como em Aenéi de Virgílio, mas todo o povo português é elogiado em Os Lusíadas. Uma fonte de crítica foi também o facto de Camões misturar a presença de deuses e deusas gregos com o deus cristão (Smit, 1975: 77).

Observações

Durante os séculos o talento especial de Camões, tão evidente nesta obra, é muito apreciado. Muitos escritores e poetas conhecidos louvaram-no. Esta admiração levou a várias traduções no mundo inteiro, a primeira já apareceu em 1580 em língua castelhana, e também nos dias actuais traduções novas estão sendo publicadas. Existem traduções em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, latim, polaco, dinamarquês, neerlandês, chinês, húngaro, japonês, sueco, esperanto, russo e concani, uma das línguas faladas nas Índias, como podemos ler no Centro Virtual Camões do Instituto Camões. Nos países vizinhos da Holanda muitas traduções novas e edições diferentes apareceram, mas na Holanda somente conhecemos uma tradução de 1777, e a história de Inês de Castro é traduzida algumas vezes no século XIX. Como é que podemos explicar esta recepção de Os Lusíadas na Holanda?

Quando agentes da polícia holandesa judiciária querem analisar a fundo todos os aspectos acerca de um delito a fim de resolver o caso o melhor possível, usam os chamados ‘sete vezes W de ouro’ (zeven gouden W’s). Isto quer dizer: sete perguntas começando com a letra W em holandês, que, uma vez respondidas, dão uma ideia equilibrada do que aconteceu. Estas perguntas são:

- quem (wie)

- quê (wat)

- quando (wanneer)

- onde (waar)

- com quê (waarmee)

- como (op welke wijze)

- porquê (waarom)

Respostas a estas perguntas dão uma ideia muito precisa do curso dos acontecimentos acerca de um determinado caso. Estas perguntas vão formar a base desta tese de licenciatura e é possível examinar a recepção holandesa de Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões com as respostas:

quem produzia documentos de recepção,

que foi produzido,

quando os documentos foram feitos,

onde os textos foram escritos,

com quê ou em base de quê,

como foram escritos,

e finalmente porquê foram feitos.

Na maioria dos casos a pergunta ‘porquê’ é uma pergunta dificílima, e aliás, também a primeira pergunta que só agentes de polícia judiciária novos põem, pois não tem uma influência muito positiva sobre o progresso da investigação. Peter Burke responde igualmente em Ik vertaal, dus ik ben. Vertalers en vertalingen in vroegmodern Europa a cinco perguntas para dar uma imagem completa de uma cultura de tradução numa Europa pré-moderna:

O que é traduzido? De quais em quais linguagens? Para quem? Com que motivo? E como essas traduções são feitas?

Para poder responder à pergunta ‘porquê’ acerca da recepção holandesa de Os Lusíadas tanto a história da tradução e a história da literatura como a história geral vão ser analisadas.

Na história da recepção os editores, antologistas, autores de material usado nas escolas, e o grande público têm mais ou menos peso.Trata-se principalmente dos poemas épicos traduzidos em holandês e dos conceitos da tradução para o relato da história da tradução. Na história da literatura trata-se dos poemas épicos assim como das grandes linhas na literatura da época. O período analisado aqui vai de 1572, o ano da publicação de Os Lusíadas, até 1900. De certo, pesquisa nos séculos XX e XXI resultaria em muitos dados interessantes acerca da recepção de Os Lusíadas de Camões. É que no século XX não temos conhecimento de traduções holandesas de partes da obra. No século XXI uma tradução integral de Os Lusíadas, pelo tradutor Arie Pos, está a ponto de ser publicado, mas ainda não está disponível.

Mais:
Estatua de Luíz Vaz de CamõesResumo, Obra e Vida de Luís Vaz de Camões
que nasceu no ano de 1524, e faleceu em 1580.

Apesar de ser considerado um dos maiores poetas portuguesas, se não o maior, sabe-se pouco da sua biografia. Teria nascido entre 1524 e 1525, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá. Parece ter pertencido à pequena nobreza. Sabe-se que frequentou o Paço e também os meios boêmios da capital. Esteve em Ceuta, onde perdeu um dos olhos. Depois de ter passado pela prisão, em 1553, foi servir na Índia. Regressou a Portugal, no final da década de 1560, depois de ter passado por Moçambique, e morreu em 10 de junho de 1580. Contrariamente à tradição, os estudiosos acham o que o período final de sua vida não foi passado na miséria, uma vez que recebia uma pensão do rei. É autor de Os Lusíadas e é considerado o maior dos poetas líricos portugueses, embora ainda hoje se discuta a autoria de algumas composições que lhe foram atribuídas.

Uma vida acidentada: depois de ter contado em Os Lusíadas os feitos heroicos dos portugueses, Camões assistiu à decadência do país e morreu pouco antes de Portugal ter perdido a independência.


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