No início do século IV d.C., uma voz se levantou dentro do cristianismo para confrontar o ponto de vista da época sobre o relacionamento entre Deus, Jesus e o Espírito Santo, ameaçando destruir as fundações da própria Igreja.
Ário nasceu em cerca de 256 d.C., provavelmente na Líbia. Tornou-se presbítero em Baucalis, subúrbio cristão de Alexandria, uma das maiores cidades do mundo mediterrâneo.
Começou a causar polêmica quando abordou a questão da visão ortodoxa da Igreja de que Deus Pai e Jesus Cristo eram a mesma e única pessoa. Ário declarou que Deus era único e ingênito e que tudo que existia fora de Deus era criado a partir do nada por Sua vontade. Portanto, ensinou Ário, Jesus Cristo fora criado por Deus Pai e, embora Cristo ocupasse um lugar muito superior ao da maioria dos humanos, ele certamente não era igual a Deus Pai.
Ário escreveu e distribuiu versos e cantos para promover esse ponto de vista. Foi censurado pela Igreja em 318, mas continuou a defender seus princípios. A postura controversa – a negação da divindade verdadeira de Cristo – ameaçou dividir a Igreja.
Em 325, o imperador romano Constantino convocou os bispos da Igreja para um encontro em Nicéia (na atual Turquia). De 250 a 300 bispos participaram do concílio, no qual consideraram e debateram as virtudes dos princípios de Ário, que também compareceu e deu explicações sobre suas crenças. Entretanto, os bispos rejeitaram com firmeza o arianismo. Condenaram-no e escreveram o Credo de Nicéia, que descrevia Jesus como ”gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.
Santos Padres do I Concílio de Nicéia. Os cristãos orientais conservam viva a memória do evento realizado no ano 325, em Nicéia, em que Ário foi condenado.
Entretanto, a discórdia não foi resolvida. Ário e os que o apoiavam se recusaram a aceitar a derrota. Enquanto os bispos os rotulavam como hereges, Ário compôs um pronunciamento rival. Ao lê-lo, Constantino ficou impressionado. Em 331, recebeu Ário e ordenou que Atanásio, maior defensor do Credo de Nicéia, o recebesse em comunhão, acabando assim, com a excomunhão. Mas Atanásio se recusou. Foi deposto pelo Sínodo de Tiro em 335 e exilado na Gália romana (atual França). Ário morreu em 336 d.C., antes que pudesse aceitar uma recolocação na Igreja.
O debate sobre se Jesus Cristo fora ”criado” ou ”gerado” continuou até 381, quando o Sínodo de Constantinopla reafirmou o Credo de Nicéia, acrescentando algumas mudanças e rebatizando-o de Credo Niceno. A visão ortodoxa havia prevalecido no Império Romano, mas o arianismo continuou popular entre muitos bárbaros de tribos que viviam no norte da Europa. Com a conversão de Clovis, rei dos francos, em 494 d.C., a visão ortodoxa ganhou força progressivamente e, daí em diante, os seguidores do arianismo se enfraqueceram.