O pioneiro da pesquisa microscópica Anton van Leeuwenhoek (1632-1723) nasceu em Delft, na Holanda. Ele deixou a escola aos 16 anos de idade para trabalhar como aprendiz em um armazém em Amsterdã. Aos 21 anos, voltou para Delft e abriu uma loja de tecidos. Leeuwenhoek usava lentes de aumento simples para examinar a qualidade dos tecidos e, como hobby, construía microscópios e observava os objetos através deles. A lente do microscópio mais possante de Leeuwenhoek não era maior do que a cabeça de um alfinete, mas tinha um poder de aumento de 270 vezes. Ela ficava presa a um suporte de bronze, e Leeuwenhoek arrumava o espécime a ser examinado em uma lingüeta amarrada àquele suporte. Ao se girar a lingüeta, focalizava-se o objeto.
Leeuwenhoek possuía uma curiosidade interminável e, através de seus microscópios, examinou cabelos, pele, cortiça, marfim, sangue, olhos e asas de insetos e tecido muscular. Ele observou que as células sanguíneas vermelhas que circulavam nas artérias se espremiam nos capilares e saíam pelo outro lado, nas veias, e também foi o primeiro a observar as células de esperma. Leeuwenhoek registrava cuidadosamente o que via e fazia desenhos detalhados. A partir de 1673, começou a mandar cartas para a Sociedade Real em Londres. Em vez de escrever em latim, o idioma dos eruditos, Leeuwenhoek escrevia em holandês e suas cartas eram informais, em tom de conversa, como se estivesse se dirigindo a um amigo e não aos maiores cientistas do mundo. Apesar de acharem seu estilo engraçado, os membros da Sociedade Real pediram que ele mandasse mais relatórios.
Leeuwenhoek, 1686. Boerhaave Museum, Leiden, Holanda.
Leeuwenhoek fez centenas de microscópios a fim de manter os espécimes permanentemente montados para futuros estudos. Devido à sua esperiência e paciência, ele viu detalhes que outros cientistas haviam deixado passar completamente. Seu estudo dos ciclos vitais de pequenos insetos, como pulgas e formigas, o convenceu de que eles nasciam da mesma forma que os grandes animais, e não por geração espontânea.
Em 1674, Leeuwenhoek encontrou animais de uma célula, protozoários, crescendo na água estagnada dos lagos. Ele calculou que uma única gota de água abrigava um milhão de pequenos organismos. Este relatório foi recebido com ceticismo na Sociedade Real, mas ele conseguiu se contrapor enviando 20 de seus microscópios. Em 1680, a Sociedade Real o elegeu membro e três anos depois, publicou um de seus desenhos de bactérias.
Leeuwenhoek gozou de boa saúde, vida longa e considerável reputação. Sua fama era tão difundida que diversos monarcas, como Frederico II, da Prússia, e o czar Pedro, o Grande, da Rússia, o visitaram. Até morrer, aos 90 anos de idade, Leeuwenhoek construiu mais de 400 microscópios.
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