História da Arte Renascentista

O Renascimento: O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Ele sugere que, a partir do século XIV, teria havido na Europa um súbito reviver dos ideais da cultura greco-romana. Essa é, no entanto, uma visão simplista da História, já que, mesmo durante o período medieval, o interesse pelos autores clássicos nunca deixou de existir. Nas escolas das catedrais e dos mosteiros, autores gregos ou romanos, como Cícero, Virgílio, Sêneca e os grandes filósofos gregos eram muito estudados.

Outro problema é o da subestimação e do desconhecimento da cultura medieval. O termo “renascimento” pode sugerir que todo o período medieval foi uma época de trevas e ignorância. Essa falsa ideia foi difundida pelos próprios renascentistas, que, no desejo de combater tudo que fosse medieval, chamavam a Idade Média de “Idade das Trevas”.

Na verdade, já a partir do século XI, começa a surgir por toda a Europa Ocidental uma série de movimentos de renovação cultural inspirados nos ideais greco-romanos. No entanto, sob vários aspectos, o Renascimento retoma certos elementos da cultura medieval. Por outro lado, o Renascimento foi um momento da História muito mais amplo e complexo do que o simples reviver da antiga cultura Greco-romana.

Ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal humanista foi, sem dúvida, o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Num sentido amplo, esse ideal é entendido como a valorização do homem e da natureza em oposição ao divino e ao sobrenatural conceituados na Idade Média.

Devido ao humanismo e ao ideal de liberdade predominante no período, o artista renascentista teve a oportunidade de expressar suas idéias e sentimentos sem estar submetido à Igreja ou a outro poder. Ele era um criador e tinha um estilo pessoal, diferenciando- se dos artistas medievais. Além disso, o artista era dignamente pago para produzir suas obras, quer fossem elas feitas para compradores particulares ou para a própria Igreja.

Historicismo

1308 – Dante Alighieri começa a escrever A Divina Comédia.
1333 – Simoni de Martini pinta O Anjo e a Anunciação.
1415 – Navegadores portugueses chegam a Ceuta.
1448 – Gutenberg inventa a imprensa.
1474 – Da Vinci pinta O Retrato de Ginevra Benci.
1492 – Colombo descobre a América.
1500 – Cabral chega ao Brasil.
1505 – Giovanni Bellini pinta Nossa Senhora do Prado.
1532 – Fundação de S. Vicente, por Martim Afonso de Souza.
1543 – Copérnico fundamenta a tese do Sol como centro do universo.

Arquitetura Renascentista

A preocupação dos construtores renascentistas foi criar espaços compreensíveis de todos os ângulos e que fossem o resultado de uma justa proporção entre todas as partes do edifício. A principal característica da arquitetura do Renascimento, portanto, é o equilíbrio das linhas, a organização matemática dos espaços e a presença de elementos da Antigüidade clássica na decoração. A cúpula é um detalhe importante e constante nas construções renascentistas.

O mais famoso exemplo de cúpula existente nesse período é sem dúvida a da basílica de São Pedro, no Vaticano, em Roma. Erguida entre 1507 e 1607, da sua construção participaram grandes arquitetos como Donato Bramante, de 1507 a 1510; Rafael, de 1514 a 1520; Antonio Sangalloi, de 1540 a 1546; Michelangelo, de 1546 a 1564, juntamente com Giacomo Della Porta, que continuou a execução do projeto até 1602; e Carlo Moderni, que a concluiu entre 1602 e 1607. Este, como outros prédios públicos e palácios do período, teve sua arquitetura fortemente influenciada pelas características do Renascimento.

A Pintura Renascentista

A pintura do Renascimento confirma as três conquistas que os artistas do último período gótico haviam alcançado: a perspectiva, o realismo e o uso do claro-escuro. Na Antigüidade, pintores gregos e romanos já haviam dominado esses recursos da pintura, entretanto, os pintores românicos e medievais abandonaram essas possibilidades de imitar a realidade. No período Gótico e no Renascimento, porém, predomina a tendência de uma interpretação científica da realidade e do mundo.

O resultado disso nas artes plásticas, e sobretudo na pintura, são os estudos da perspectiva segundo princípios da Matemática e da Geometria. O uso da perspectiva conduziu a outro recurso, o claro-escuro, que consiste em pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, reforçando a sugestão de volume dos corpos. A combinação da perspectiva com o claro-escuro deu maior realismo às pinturas.

Na Idade Média, a produção artística era anônima, de acordo com os ideais eclesiástico e real da iniqüidade do homem diante de Deus e de seu Rei. Na arte renascentista, sobretudo na pintura, surge o artista com estilo pessoal, idéias próprias e liberdade para divulgá-las. A partir dessa época, começa a existir o artista como o conceituamos atualmente: um criador individual e autônomo, que expressa em suas obras os seus sentimentos e suas idéias, sem submissão a nenhum poder que não a sua própria capacidade de criação.

Assim, no Renascimento, são inúmeros os nomes de artistas conhecidos, cada um com características próprias.

Leitura de Obras Renascentistas

Masaccio (1421-1428): A Pintura como Imitação da Realidade

Foi um artista genial e precoce que, aos 21 anos, concebeu a pintura como imitação fiel do real e morreu aos 27 anos, deixando obras que retratam as formas humanas com impressionante beleza. Seu realismo é tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de nos convencer da realidade da cena retratada e mais, parece nos convidar a participar do que está representado na pintura.

Fra Angélico (1400 –1455) – A Busca da Conciliação entre o Plano Terrestre e o Sobrenatural

Frade dominicano que seguiu as tendências realistas de Masaccio, mas, por respeitar seriamente seus votos, tem em sua obra como tema principal a religião. Sua pintura, embora siga os princípios renascentistas da perspectiva e da técnica claro-escuro, está impregnada de um sentido místico. O ser humano representado nas obras de Fra Angélico não parece manifestar angústia ou inquietação diante do mundo, mas serenidade, pois se reconhece como submisso à vontade de Deus.

Paollo Uccello (1397-1475) – O encontro das Fantasias Medievais com a Perspectiva Geométrica

Uccello procura compreender o mundo segundo os conhecimentos científicos do seu tempo e, em suas obras, tenta recriar a realidade segundo princípios matemáticos. Por outro lado, sua imaginação o remete às fantasias medievais, um mundo lendário de um passado superado. Sua pintura está repleta de movimento e realismo fantástico.

Sandro Botticelli (1444-1510) – A Linha que Sugere mais Ritmo que Energia

Nasceu e viveu em Florença, Itália. Trabalhou na decoração da Capela Sistina, em 1481. Botticelli retratava dois temas em suas obras: a Antigüidade grega e o Cristianismo. Uma característica comum em suas obras é a leveza dos corpos, esguios e desprovidos de força: parecem flutuar, com ritmo, expressando suavidade e graça. As figuras humanas de seus quadros são belas, porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas, porque supõem que perderam esse dom de Deus.

Leonardo da Vinci (1452 – 1519) – A busca do Conhecimento Científico e da Beleza Artística

Foi o talento mais versátil do Renascimento. Desenhista, pintor, escultor, engenheiro e arquiteto, realizou vários trabalhos e pesquisas aprofundando-se nos mais diversos setores do conhecimento humano, entre eles anatomia, botânica, mecânica, hidráulica, óptica, arquitetura e astronomia. Em artes, seus estudos de perspectiva são considerados insuperáveis. Na verdade, pintou pouco: o afresco da Santa Ceia, em Milão, e cerca de quinze quadros, a maioria, obras- primas de expressivos jogos de luz e sombras.

Michelangelo Buonarroti (1475-1564) – A Genialidade à Serviço da Expressão da dignidade Humana

Arquiteto, pintor, poeta e escultor, um dos maiores representantes do Renascimento. Como arquiteto, trabalhou na cúpula da igreja de São Pedro, em Roma, e na praça do Capitólio. Como pintor, sua maior obra é a pintura do teto da capela Sistina. Embora tenha concordado em realizar esta obra, ele se considerava, acima de tudo, um escultor. As poses das figuras da capela Sistina baseiam-se em famosas esculturas gregas e romanas, que Michelangelo estudava minuciosamente.

Rafael Sanzio (1483 –1520) – O Equilíbrio e a Simetría

É considerado o pintor que melhor desenvolveu, na Renascença, os ideais clássicos de beleza: harmonia e regularidade de formas e cores. Rafael planejava detalhadamente suas obras e fazia centenas de desenhos preliminares a partir de modelos vivos, antes de pintar os afrescos. Suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplos, claros e de acordo com uma simetria equilibrada, expressando de forma clara e simples os temas pelos quais se interessou.

Ticiano Vecellio (1490 –1576) – O Pintor que virou Nobre

Ticiano foi o maior pintor da escola veneziana. Viveu toda a sua vida em Veneza, considerada a mais importante cidade italiana do Renascimento. Em 1533, o rei Carlos V nomeou-lhe pintor da corte e lhe concedeu um título de nobreza, nunca antes conquistado por um artista. Ticiano produziu uma série de obras religiosas, mitológicas e retratos utilizando cores vivas e movimentos que mais tarde serviram de base para outros artistas.

O Maneirismo

A partir de 1520, alguns pintores italianos começaram a procurar formas alternativas para a criação de suas obras. Embora tenham buscado inspiração nas obras renascentistas de Michelângelo, Leonardo da Vinci e Rafael, deram início a um novo estilo artístico que rompeu com o equilíbrio, a organização espacial, a simetria, a racionalidade e as proporções estabelecidas pela arte renascentista.

Este novo estilo foi denominado Maneirismo, termo originário da palavra italiana maniera, que designa o estilo ou a maneira própria com que cada artista realiza a sua obra. As características iniciadas no Maneirismo tiveram total desenvolvimento no estilo Barroco, que sucedeu o renascimento.

O Renascimento Fora da Itália

As concepções estéticas italianas de valorização da cultura greco-romana começaram a se internacionalizar. Nesses países, foi comum o conflito entre as tendências nacionais e as novas formas artísticas vindas da Itália. Mas tal conflito se resolveu com a nacionalização das idéias italianas.

Fora da Itália, foi a pintura, entre as artes plásticas, que melhor refletiu a nacionalização do espírito humanista renascentista italiano. No séc. XV, ainda eram conservadas, na pintura alemã e na dos Países Baixos, por exemplo, as características do estilo gótico. Mas, alguns artistas, como Dürer, Hans Holbein, Bosch e Bruegel, fizeram uma espécie de conciliação entre o gótico e a nova pintura italiana, intérprete científica de uma realidade.

Assim, Albrecht Dürer, (1471-1528) foi o primeiro artista alemão a conceber a arte como uma representação fiel da realidade e a buscar traços psicológicos do ser humano e retratá-los em seus quadros, como por exemplo, no retrato de Oswolt Krell, onde registra fielmente os traços físicos do personagem, mas também a atitude enérgica desse comerciante alemão.

Já Hans Holbein, (1498-1543) ficou conhecido como retratista de políticos, intelectuais e financistas da Inglaterra e dos Países Baixos. Tudo retratado com um realismo tranqüilo, diferente da inquietação de Dürer. Soube expressar o esmero técnico e o ideal renascentista de beleza com precisão e forma. Ao retratar seu amigo Erasmo de Roterdã, Holbein o fez com simplicidade, traçando com sutileza os traços psicológicos e físicos do grande humanista do séc. XVI.

Hieronymus Bosch, (1450-1516)
criou um estilo inconfundível. Sua pintura é repleta de símbolos da astrologia, da alquimia e da magia conhecidas ao final da Idade Média. E nem todos os elementos de suas telas podem ser decifrados, dada a combinação de seres e formas presentes em sonhos ou delírios do pintor. Para muitos críticos, esta era a representação do conflito interior do homem ao final da Idade média: tensão ante o pecado dos prazeres materiais e a busca da virtude de uma vida espiritual. Tudo envolto em superstições e crenças malignas.

Pieter Bruegeli, o Velho (1525-1569)
, viveu nas grandes cidades da região de Flandres, sob os ideais renascentistas, mas retratou como ninguém a realidade das pequenas aldeias que ainda conservavam a cultura medieval. Esta temática aparece em quadros como Jogos Infantis, em que apresenta 84 brincadeiras de crianças, da época.


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